Revolut agora quer disputar espaço com bancos digitais no Brasil

Fintech britânica expande serviços, incluindo Pix, investimentos e cartão de crédito

A fintech britânica Revolut, que chegou no Brasil há quase três anos e até então operava apenas como conta global, está ampliando a atuação e vai passar a disputar diretamente com bancos digitais mais completos.

A ideia é reduzir a sazonalidade – muitos clientes só usam quando vão viajar ou para comprar/vender dólar e criptomoedas quando há fortes oscilações no mercado – e aumentar a recorrência dos usuários.

“Parece que a gente está querendo aumentar o mercado endereçável, mas não é bem isso, foi esse mercado que veio nos procurar. Estamos acelerando lançamentos que só estavam programados mais para frente”, conta Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil.

Agora os clientes brasileiros podem usar o Pix diretamente no aplicativo para realizar transferências e pagamentos instantâneos em reais, entre contas de diferentes bancos do país.

O produto vem com alguns diferenciais em relação aos concorrentes, como divisão de contas (para facilitar quando um grupo de amigos vai num barzinho, por exemplo); caixinhas (ou “pockets”) separados, onde um casal pode poupar e ter uma espécie de conta conjunta; e uma chat, dentro do aplicativo, onde é possível interagir e fazer transferências para outros usuários de forma rápida e segura.

O Revolut já tem uma licença de sociedade de crédito direto (SCD) por aqui e Mota não descarta buscar uma autorização de banco, como tem sido o caminho natural da fintech em outros países do mundo.

No começo do segundo trimestre, deve lançar a opção de investimentos, como ações e ETFs nos EUA. E até junho vai colocar na rua seu cartão de crédito local. Também deve trazer para o Brasil em breve um plano de benefícios por assinatura.

“Estamos criando agora as fundações necessárias para lançarmos em breve os investimentos e o crédito. No crédito obviamente vamos começar gradualmente, é algo que exige expertise local. Em geral, o Revolut começa com cartão, depois vem crédito pessoal e posteriormente outras linhas. Em mercado mais maduros, já temos até crédito imobiliário”, conta o CEO.

Hoje, por ser uma operação recente, o Brasil não está nem entre os dez maiores mercados do Revolut, mas Mota diz que o país, dado o tamanho da população, tem potencial para ficar entre as três maiores operações no futuro. “Meu desejo pessoal – não é uma meta do grupo, é meu desejo – é que em 2026, 2027 já possamos entrar no top 10”, diz.

Ele conta que, quando o Revolut foi lançado por aqui, imaginou que os principais usuários seriam de mais alta renda, com maior idade. Mas isso não se mostrou verdadeiro. Hoje, 75% tem entre 18 e 44 anos.

“É um público mais jovem, e para o qual a gente estava sub-ofertando. Agora com a conta em reais mais completa, com os novos produtos que vamos lançar, ele vai poder usar mais no dia a dia. Nosso público não é nem a base da pirâmide, que demanda muito crédito, nem o topo, que já é bem atendido pelos bancões. Mas tirando isso, sobre um ‘trapézio’ que podemos trabalhar bem”.

O Revolut tem hoje quase 50 milhões de clientes em 38 países, mas não abre o tamanho da base no Brasil. O grupo tem uma meta de chegar a 100 milhões de clientes ativos, em 100 países, e com US$ 100 bilhões de receita, sem estabelecer um prazo para isso.

Avaliado em US$ 45 bilhões na sua última rodada de aporte, o Revolut é muito comparado pelos analistas com o Nubank, até pela sua ambição global. Atualmente, o Nubank atua só em três países, mas tem 114,2 milhões de clientes e teve receita de US$ 11,5 bilhões em 2024.

*Com informações do Valor Econômico

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