Bolsas dos EUA fecham em forte queda com Fed severo e covid na China
Semana será marcada por divulgação de dados e discursos de integrantes do Fed
Os três principais benchmarks acionários de Wall Street fecharam a sessão de hoje no vermelho, em dia em que pesaram sobre os ombros do investidor tanto as preocupações com a covid na China quanto os comentários mais “hawkish” (favoráveis ao aperto monetário) de integrantes do Federal Reserve (Fed).
Diante disso, ficou difícil manter o bom humor do investidor presente, mesmo com números mais otimistas sobre as vendas do varejo na Black Friday e na Cyber Monday.
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No fim das negociações, o índice Dow Jones terminou em queda de 1,45%, a 33.849,46 pontos, enquanto o S&P 500 exibiu perdas de 1,54%, a 3.963,94 pontos, e o Nasdaq recuou 1,58%, a 11.049,50 pontos.
Todos os índices setoriais do S&P 500 fecharam em queda, com a maior perda vindo pelo setor de energia, em meio a um horizonte de recessão global.
As ações da Apple, por exemplo, recuavam mais de 2%, com o cenário de gargalos na produção de iPhone devido às restrições impostas no gigante asiático para controlar a disseminação da doença.
Entre os setores, o de energia perdeu 2,74%, em dia em que os preços do petróleo passaram a maior parte da sessão no vermelho, diante da preocupação com a covid-19 na China e com perspectivas de recessão no mundo.
Semana de indicadores e discursos
A semana deve ser marcada por uma série de dados, concentrados na quarta e quinta-feira, além de discursos de integrantes do Federal Reserve (Fed), que entram em período de silêncio no fim de semana.
Recessão à vista
Como apontaram os economistas do Deutsche Bank David Folkerts-Landau e Peter Hooper, a recessão projetada pelo banco alemão há nove meses está se aproximando.
“Uma desaceleração já pode estar em curso na Alemanha e na zona do euro em geral, graças ao choque energético decorrente da guerra Rússia-Ucrânia”, disseram.
“Nossa expectativa de uma recessão nos EUA em meados de 2023 se fortaleceu com base nos desenvolvimentos desde o início da primavera passada.”
Juros
Para eles, o aperto monetário agressivo dos principais bancos centrais do planeta deve levar a economia global a uma recessão no início do ano que vem e isso afetará o mercado acionário.
“Vemos os principais mercados acionários caindo 25% em relação aos níveis um pouco acima do que se tem hoje, quando os EUA chegarem a uma recessão”, afirmaram, acrescentando, porém, que deve haver uma recuperação até o final do ano.
Neste contexto de aperto, hoje dois integrantes do Fed demonstraram um tom mais conservador sobre o aperto monetário. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que a luta contra a inflação deve continuar até 2024 e que não vê o BC americano cortar as taxas até lá. “Ainda há trabalho a ser feito”, afirmou.
Na mesma tarde, o chefe do Fed de St. Louis, James Bullard, disse que o mercado financeiro está subestimando a chance de o BC americano ser agressivo ano que vem para controlar a inflação.
China
A preocupação com a China também penalizou os índices acionários, uma vez que as restrições no país vêm afetando empresas em todo o mundo.
A gestora de investimentos Wedbush estima que a Apple agora tenha uma escassez significativa de iPhone que pode “retirar cerca de pelo menos 5% das unidades no trimestre e potencialmente até 10% dependendo das próximas semanas na China em torno da produção e protestos da Foxconn”.
Os comentários conservadores do Fed e as restrições na China acabaram ofuscando os números do varejo sobre a Black Friday e a Cyber Monday.
Somando todos os dias, os consumidores apareceram em massa, tanto online quanto pessoalmente, para as vendas da Black Friday que abrangem o Dia de Ação de Graças até hoje, a Cyber Monday.
A Adobe Analytics espera que hoje tenha sido o maior dia de compras online de todos os tempos, com consumidores gastando entre US$ 11,2 bilhões e US$ 11,6 bilhões.
Já o Bank of America disse que as vendas online do Dia de Ação de Graças e da Black Friday foram um pouco melhores do que o esperado. O banco de investimento cita dados da Salesforce sugerindo que as vendas online no Dia de Ação de Graças/Black Friday cresceram 9% e 12% ano a ano, respectivamente.