Itaú e BTG são os mais rentáveis entre os grandes bancos no Brasil e em 2025 diferença pode subir
Bradesco e Santander devem ter recuperação mais lenta neste ano, enquanto o Banco do Brasil pode ficar próximo da casa de 20% de ROE

Em 2025, o BTG Pactual (BPAC11) e o Itaú Unibanco (ITUB4) vão manter e, talvez, ampliar, a liderança como os bancos mais rentáveis dentre aqueles com ações na B3.
É o que apontam estimativas de analistas com base nos resultados do quarto trimestre de 2024 e nas indicações dos próprios executivos dessas instituições.
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Nesse sentido, Roberto Sallouti e Milton Maluhy Filho, respectivamente CEOs do BTG Pactual e do Itaú, foram os que deram sinais mais claros de confiança em resultados fortes para 2025. Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, com inflação e juros em alta.
“Vamos ter expansão do ROE em 2025”, afirmou Sallouti nesta segunda-feira (10) a analistas durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2024.
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O executivo, porém, não se comprometeu com um número específico.
No ano inteiro, o BTG teve ROE de 23%. Foi o maior dentre os cinco maiores bancos na bolsa brasileira para o ano anterior.
Na previsão do Goldman Sachs, esse indicador deve subir para 23,7% neste ano.
“O banco continua avançando em novas linhas de negócios (…) o que deve contribuir para maior diversificação e crescimento rentável”, afirmou a XP sobre o BTG.
Já Maluhy Filho, na semana anterior, frisou que nunca viu o Itaú “tão preparado para entregar resultado, independente do cenário”.
O maior banco brasileiro em ativos teve ROE de 22,2% em 2024. A previsão do Goldman é de que esse índice suba a 23,9% em 2025.
Bradesco e Santander se recuperam lentamente, BB patina
Desde 2020, ano inicial da pandemia da Covid-19, os maiores bancos brasileiros tiveram dinâmicas distintas em termos de lucratividade.
Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) fizeram uma campanha mais agressiva de oferta de crédito.
Com resultado da combinação de rápido aumento dos juros e da inflação, a capacidade de pagamento dos devedores diminuiu e as duas instituições tiveram perdas crescentes com calotes.
A partir de 2023, ambos fizeram ajustes e os resultados apareceram no ano seguinte.
Agora, porém, analistas avaliam que a volta de um cenário econômico mais adverso vai retardar esse processo.
Há vários fatores para isso. O mais importante deles é que, num cenário como o atual, os bancos tendem a ser mais conservadores.
Então concentram-se em linhas de crédito de menor risco. Como resultado, a margem líquida de juros (NII, na sigla em inglês), cresce menos.
“O NII de mercado do Bradesco e do Santander deve ser impactado negativamente pelo ciclo de aumentos (da Selic), enquanto o do Banco do Brasil deve se beneficiar e o do Itaú deve ser neutro”, escreveu o Bank of America em relatório.
Em outras palavras, segundo analistas, vão mais alguns anos até que Santander Brasil e Bradesco voltem a ter ROE na casa dos 20%.
Enquanto isso, o Banco do Brasil (BBAS3) deve seguir com índices próximos de 20%, mas perdendo força em relação a 2024, em parte devido a maiores perdas no agronegócio.
O banco controlado pelo governo federal divulga seus resultados do quarto trimestre na noite de 19 de fevereiro. O executivos do banco devem discutir os números do período com analistas na manhã seguinte.
ROE ajuda a identificar bancos mais rentáveis
O ROE é um indicador de como um banco remunera o capital de seus acionistas.
Dessa forma, manter um nível saudável ao longo dos anos tende a influenciar no comportamento da ação no longo prazo. Nesse sentido, nos últimos cinco anos, BPCA11 teve valorização de 79%, enquanto ITUB4 acumulou alta de 49,5%. BBAS3 subiu 52%.
Enquanto isso, SANB11 perdeu 19%, BBDC4 recuou 40%.