Como será a semana na bolsa de valores? Confira agora três respostas importantes sobre o tema

Empresas citadas na reportagem:
Na semana passada, a reportagem da Inteligência Financeira perguntou o mesmo para Victor Natal, estrategista de ações para pessoa física do Itaú BBA. Nesta semana, as mesmas três questões foram feitas para Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital. Assim, a ideia é todo começo de semana apresentar um panorama sobre a bolsa de valores a partir da visão de um especialista.
Como você avalia a semana do Ibovespa? Os destaques e pontos negativos da última semana quais foram na sua opinião?
Tivemos uma semana que começou muito mais volátil, com uma incerteza muito maior nos mercados, após (Donald) Trump anunciar tarifas de importação para o aço e para o alumínio.
Ao longo da semana, saíram dados importantes em relação à inflação, como o CPI, que é a inflação ao consumidor, que veio acima das expectativas. Esperava-se 0,30% de alta e veio em 0,50% em 12 meses acumulando 3% de alta.
Lembrando que o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) tem um objetivo de 2% de inflação. Mesmo quando a gente exclui aqueles indicadores mais voláteis, ainda assim a inflação acelerou do último mês para cá. E o PPI, que é a inflação ao produtor, também veio acima das expectativas.
Existia uma preocupação em relação a essa inflação vir mais pressionada, já que isso mostra que o Fed não terá pressa em reduzir juros com essa inflação acelerando. E se os juros ficarem mais altos, isso é ruim para ativos de risco.
Então, acho que a semana começou um pouco mais complicada de uma forma geral.
Agora, sexta-feira foi um dia bastante positivo. Isso porque saíram dados nos Estados Unidos de vendas no varejo, que mostraram desaceleração maior. A expectativa era de uma queda de 0,20% e veio com queda de 0,90%. Ou seja, isso mostra que a economia americana pode sim estar dando sinais de desaceleração e que talvez aquelas projeções de queda de juros que o Fed tem sejam concretizadas ao longo do ano.
Terminamos a semana de uma forma muito positiva com o dólar caindo em patamar baixo como há bastante tempo a gente não via. As curvas de juros cederam, ou seja, aquela pressão nos juros que a gente tinha começou a ceder também. Então hoje (sexta-feira) foi um dia muito positivo para a bolsa, subindo quase 2%.
Saiu pesquisa do Datafolha mostrando que a aprovação do (presidente) Lula caiu bastante, de 35% para 24%. Chama muito a atenção porque ele nunca teve uma avaliação tão ruim. A reprovação do governo foi recorde.
O que esperar da bolsa de valores nesta semana?
A gente inicia a semana de uma forma muito mais preocupada e termina de uma forma muito mais positiva. Acho que vale a gente destacar também que o Trump anunciou aquelas tarifas de reciprocidade. Para países que colocam tarifas de importação para os produtos americanos, ele fala que vai estabelecer essa mesma tarifa. E aí o mercado ficou bastante atento.
Mas como isso só é para começar em abril, e a gente acredita que ele está jogando essas possibilidades para chamar uma discussão e que muitas vezes pode ser que ele nem implemente, o mercado acabou passando batido com isso.
Claro que setorialmente alguma empresa que depende da venda do etanol pode sofrer, mas o mercado acabou terminando a semana com um otimismo muito maior.
Para a (nova) semana, temos aqui uma agenda mais esvaziada. Então, no Brasil tem a divulgação do IBC-Br, que é uma prévia do PIB. E a gente continua com a temporada de resultados. Também é importante a gente acompanhar de perto aqui os resultados.
A gente vai ter divulgação da Vale, por exemplo. Então, importantes empresas continuam reportando os resultados e isso pode fazer preço no mercado.

Lá fora, a agenda também está um pouco mais esvaziada. Teremos a ata do Fomc e, mais para o final da semana, a gente tem a divulgação de PMIs, então vai dar um termômetro ali também de como está o otimismo em relação à agenda nos Estados Unidos. Mas de uma forma geral, a gente vê a semana terminando com um otimismo grande e pode ser que a próxima semana seja positiva para ativos de risco também.
Quais ações podem se destacar e de quais é melhor se afastar? Ou quais setores podem ter desempenho e quais não?
A gente ainda prefere ficar trabalhando com uma carteira mais defensiva. É um ano de subida de juros e as empresas podem sofrer, principalmente aquelas mais alavancadas, com uma Selic indo para cima de 15% e um cenário de desaceleração da economia.
Então, por isso que a gente tem preferido trabalhar com nomes mais defensivos, com nomes que se aproveitem de um dólar mais elevado, porque são exportadoras, como o WEG, a Suzano e a Embraer.
A gente tem nomes como a Petrobras, que vai continuar gerando bastante caixa. A gente tem também Eletrobras e Sabesp, que são empresas que têm um fluxo de caixa mais estável, que não tem grandes oscilações e conseguem repassar os preços conforme a inflação continuar pressionada.

Então, mesmo com o otimismo maior aqui no último dia, e a bolsa subindo forte, ainda assim a gente tem recomendado uma cautela maior aqui para as ações.
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