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Estrangeiros em busca de pechinchas começam a se interessar pela bolsa brasileira

Daniel Gewehr, estrategista do Itaú BBA, indica que fundos de atuação global estão atrás de informações sobre as empresas locais

Fundos estrangeiros em busca de pechinchas começam a se interessar pela bolsa brasileira, que vem amargando resultados negativos nos últimos tempos.

Segundo Daniel Gewehr, que lidera o time de estratégias do Itaú BBA, fundos de atuação global – tanto quânticos, quanto de deep value (que buscam múltiplos a longo prazo) – estão atrás de informações sobre as empresas locais.

Não à toa, ele diz. Depois de retirar R$ 24 bilhões da B3 em 2024, o fluxo estrangeiro retomou o balanço positivo neste ano. Assim, dados da B3 apontam que de janeiro para cá o saldo estrangeiro ultrapassa R$ 7 bilhões.

“Eu fiz um roadshow grande duas semanas atrás, nos Estados Unidos. Foi a minha melhor agenda da última década nesse sentido”, diz Gewehr.

Ele conta, então, que foi procurado por gestores de fundos globais, numa mudança no perfil desses institucionais. Geralmente, ele afirma, o Brasil atrai os olhares de assets especializadas em ativos da América Latina.

“Agora, aumentou o escopo do investidor olhando para o Brasil”, disse em entrevista à Inteligência Financeira.

Bolsa brasileira volta a interessar

Então, essa percepção in loco, conta Daniel Gewehr, coincide com levantamento recente conduzido por ele e por sua equipe. A cada três meses o time de pesquisas do BBA roda uma pesquisa com gestores locais e internacionais. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro, ele coletou respostas de 114 assets, que administram cerca de USS 80 bilhões.

Ao contrário do ano passado, quando o humor dos institucionais alcançou o fundo do paço, na última sondagem o balanço foi positivo.

“De onde a gente vê que vem o maior entusiasmo é do estrangeiro. A nota dele é 6,5. Então, acima da nota do investidor local, que é 6”, afirma. A pesquisa adota uma escala de zero a dez, onde zero é muito pessimista e dez muito otimista.

“A gente pergunta também qual é o sentimento de você com ações do Brasil. Se é negativo, positivo ou neutro. E os estrangeiros, então, em sua maior parte, responderam mais pelo lado positivo da equação”, diz.

“Eu acho que (o estrangeiro) vê que o valuation da bolsa brasileira está chegando num nível extremo. Quando você começa a ficar um desvio e meio a dois desvios abaixo da média histórica, começa a chamar atenção”, destaca.

Confira a seguir íntegra da entrevista de Daniel Gewehr

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