Ibovespa em dólar dispara em 2025 enquanto bolsa argentina desidrata; confira mudança

'Resultado não vem apenas da valorização das ações brasileiras, mas também do câmbio', explica Einar Rivero, consultor e sócio da Elos Ayta

O ano de 2024 terminou com um cenário improvável. A bolsa de valores argentina registrava fortes ganhos, com a atração de estrangeiros, enquanto a bolsa brasileira caía vertiginosamente, com a saída de capital externo. Agora, no começo de 2025, o cenário é o oposto, com o Ibovespa em dólar sendo um dos índices mais valorizados do ano até aqui.

Até 14 de fevereiro, o principal índice da bolsa brasileira acumulava alta de 6,6% em reais. Mas quando convertido para a moeda americana, o avanço mais que dobra. Assim, o índice chega a 15,23% de valorização.

Então, o Ibovespa em dólar tem o quarto melhor desempenho entre os principais índices do mundo.

“Esse resultado não vem apenas da valorização das ações brasileiras, mas também do movimento do câmbio”, explica Einar Rivero, consultor e sócio da Elos Ayta.

Argentina desaponta

Já na ponta negativa, o S&P Merval, da Argentina, amarga o pior desempenho global, com queda de 8,09% em dólares.

Em 2024, o índice argentina havia subido 114,91% em dólares. Simultaneamente, o IBOV caía 29,92% na moeda dos Estados Unidos.

Em moeda local, o índice argentino recua 5,77% em 2025, evidenciando um cenário adverso para os investidores do país vizinho.

Além disso, o Nikkei 225, do Japão, também apresenta desempenho negativo em ienes (-1,87%), mas ainda assim avança 1,05% em dólares, impulsionado pela valorização da moeda local.

Variação com o dólar  

Nesse sentido, o dólar Ptax recuava 7,49% no Brasil, a segunda maior queda entre 27 economias globais.

Assim, o Brasil fica atrás apenas da Rússia, onde a moeda americana desvaloriza 17,53%.

“Para os investidores estrangeiros, essa combinação de bolsa em alta e real mais forte amplia os retornos e torna o Brasil ainda mais atraente”, acrescenta Rivero.

Ganhos do Ibovespa em dólar contra outros índices

  • Zona do Euro (Stoxx 50, +26,76%)
  • Colômbia (MSCI Colcap, +17,64%)
  • China (FTSE China 50, +15,34%)
  • Brasil (IBOV, +15,23%)
  • Alemanha (DAX, +14,14%)
  • Espanha (IBEX, +12,91%)
  • França (CAC 40, +11,97%)

Ibovespa em moeda local perde atratividade

Se o ranking fosse medido apenas pela variação em moeda local, o Ibovespa ocuparia uma posição mais modesta, ficando apenas na 13ª colocação.

“Esse detalhe reforça como o câmbio tem sido um fator decisivo para os retornos dos investidores estrangeiros”, diz Rivero.

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