WEG (WEGE3) ameniza temores sobre margens de lucro e ações avançam após derrocada
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As ações da WEG (WEGE3) subiam nesta quinta-feira (27), recuperando-se parcialmente após um tombo na véspera, com executivos amenizando preocupações do mercado sobre margens de lucro.
Na quarta-feira, os papéis despencaram 8,7%, na sequência dos resultados do quarto trimestre de 2024.
Em relatórios, analistas manifestaram preocupação com a queda na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, na sigla em inglês).
De fato, o indicador, uma espécie de lucro operacional, caiu 0,5 ponto percentual na passagem do terceiro para o quarto trimestre, a 22,1%. Na comparação anual, contudo, houve aumento de 0,7 ponto.
Ademais, a fabricante de motores elétricos e tintas industriais teve de outubro a dezembro lucro líquido de R$ 1,69 bilhão, queda de 2,9% ante mesmo intervalo de 2024.
Nesta manhã, em teleconferência com analistas, o diretor financeiro da WEG, André Luís Rodrigues, disse que a margem trimestral caiu por fatores pontuais. Por exemplo, ele citou ajustes contábeis referentes à compra da Marathon, maiores vendas de produtos de energia solar e a concentração de entregas de encomendas para clientes da Europa (que têm margens menores).
“Sem isso, margem teria sido até maior ano a ano”, afirmou Rodrigues, acrescentando que para 2025 a expectativa é positiva.
“O objetivo é sempre entregar margens acima do mercado; em 2025 margem não deve ficar fora do que foi nos últimos dois anos”, acrescentou ele.
Analistas admitem que tinham expectativas altas para WEGE3
Na esteira do balanço trimestral da WEG, analistas mostraram frustração, embora admitindo que tinham expectativas muito altas.
“Precisava ter sido perfeito, mas não foi”, resumiu o BTG Pactual em relatório de Lucas Marquiori e Fernanda Recchia.
“Energizado, mas não eletrizante” foi o título do relatório do Itaú BBA sobre WEG, reduzindo estimativas para 2025.
Ambas as casas mantiveram recomendação de compra ou equivalente para WEGE3.
Mesmo com a queda da quarta-feira, o papel acumula valorização de 31% em 12 meses.
Segundo o WSJ Markets, de nove analistas que avaliam o papel, cinco têm recomendação de compra, dois sugerem manutenção, enquanto os dois restantes sugerem venda.
WEG sem medo de tarifas de Trump
Segundo Rodrigues, da WEG, a administração companhia não está preocupada com os anúncios de aumento de tarifas por parte do governo Trump, sobre parceiros comerciais dos Estados Unidos, incluindo México e Canadá.
A WEG tem no México sua segunda maior operação, só atrás do Brasil.
Além disso, os EUA são o segundo maior mercado consumidor da companhia, com ênfase em produtos para transmissão e distribuição de energia.
“Os investimentos anunciados (no México) vão seguir; não tem nenhuma informação até o momento que justifique redução do investimento”, concluiu Rodrigues.
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