Ações da WEG (WEGE3) derretem na bolsa, mas banco enxerga tombo como ‘oportunidade’

WEG (WEGE3) tem lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre, mas ações tombam com investidores de olho na queda de margens e por 'alta expectativa', diz BTG

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As ações da WEG (WEGE3) registram queda forte no Ibovespa nesta quarta-feira (26) após a companhia divulgar ao mercado que obteve lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre, queda de 8,68% em relação ao resultado financeiro no mesmo período de 2023. Apesar de reportar um lucro operacional ajustado (EBITDA) melhor que as estimativas, a empresa perdeu margens operacionais, o que levou à decepção na praça.

No período, a WEG observou queda na margem EBITDA de 0,5 ponto percentual ante o terceiro trimestre. A margem de lucro sobre receita líquida caiu 0,3 ponto em relação aos três meses anteriores, enquanto na comparação anual, o recuo foi mais profundo, de 4,7 p.p. Apesar de esperar a reação negativa do mercado, o Itaú BBA diz que a inflexão no preço do papel apresenta “oportunidade de compra”.

WEG (WEGE3) cai forte: Itaú BBA vê movimento natural

O tombo das ações da WEG (WEGE3) hoje no Ibovespa está ligado às expectativas dos investidores sobre o crescimento da multinacional, avalia o Itaú BBA. Em relatório, o banco explica que o movimento do papel geralmente acompanha as expectativas do mercado financeiro sobre a margem de lucro e retorno sobre investimento vindos da fabricante de geradores, turbinas e outros componentes industriais.

No trimestre, além das margens, a WEG decepcionou no retorno sobre capital investido (ROIC). A métrica, que avalia o quanto a empresa devolve em ganhos operacionais sobre investimentos, caiu de 39,2% em nos últimos quatro meses de 2023 para 34,2% no último trimestre.

Além disso, a empresa anunciou dividendos de R$ 1,27 bilhão a serem pagos a acionistas em março.

O Itaú BBA atribui o comprimento de margens da WEG (WEGE3) à expansão da divisão de geradores e transmissão de energia (GTD), que “tem margens menores”.

“Mas o mercado vai se concentrar nas margens de lucro líquido abaixo da expectativa”, dizem os analistas liderados por Daniel Gasparete.

As margens no trimestre também sofreram pressão pela aquisições da WEG. O movimento de compra de Marathon, Cemp e Rotor teve impacto negativo na margem EBITDA da multinacional brasileira em 0,2%, diz o BTG Pactual.

Já o ROIC cedeu pelo investimento em ativos imobilizados intangíveis, que bateu R$ 4 bilhões no trimestre.

“No geral, resultados da WEG vieram abaixo do esperado”, explica o BTG em relatório. “E reconhecemos que as expectativas para a WEG costumam ser elevadas”.

Itaú BBA e BTG olham ‘copo meio cheio’ para ações WEGE3

Apesar do desapontamento, tanto BTG Pactual quanto Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para as ações da WEG (WEGE3).

Na visão do Itaú BBA, a queda de hoje, inclusive, apresenta “oportunidade de entrada” no papel. A empresa negocia a um múltiplo de preço sobre lucro por ação de cerca de 30 vezes. Ou seja, o lucro por ação equivale à cotação do papel quando multiplicado por 30.

“Enxergamos risco de upside para nossas projeções de crescimento da WEG, principalmente na divisão de geradores e transmissores”, diz o banco.

Já o BTG justifica a escolha de manter a WEG na cesta de compras pela exposição ao câmbio e “qualidade na tese”.

“Apesar do resultado abaixo do esperado, mantemos nossa recomendação de compra, destacando a qualidade da tese, a exposição dólar e o forte momento operacional da empresa”, completaram os analistas do BTG.

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