IPCA de janeiro, com preço dos alimentos no foco, mexe com política e rumos da Selic

Agenda de indicadores da semana também tem dados de atividade econômica no Brasil e CPI com novos números da inflação nos Estados Unidos

O calendário econômico de 10 a 14 de fevereiro tem o IPCA de janeiro entre os principais destaques. Previsto para a manhã de terça-feira (11), o resultado da inflação oficial no primeiro mês de 2025 naturalmente impacta as projeções para a taxa Selic.

Mas dessa vez o índice também terá como foco um componente que mexe com o cenário político: o preço dos alimentos.

Sobretudo após as declarações do presidente Lula na semana passada de que os brasileiros devem evitar alimentos caros. A fala virou alvo de críticas de parlamentares da oposição.

“Se você vai num supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra”, disse Lula em entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, da Bahia.

“Se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar, senão vai estragar”, acrescentou o mandatário.

Por que a inflação de alimentos preocupa?

No entanto, não é só Lula (preocupado com a popularidade) que tem batido na tecla da inflação de alimentos. A ata da última decisão do Copom também alertou para a elevação “de forma significativa” dos preços.

“Esse aumento tende a se propagar para o médio prazo em virtude da presença de importantes mecanismos inerciais da economia brasileira”, destacou o documento.

Então, diante do cenário adverso, a avaliação do comitê de política monetária é a de que a inflação acumulada em 12 meses vai permanecer acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta (4,5%) nos próximos seis meses consecutivos.

Qual é o efeito disso tudo? Se a dinâmica inflacionária não melhorar, junto com as expectativas desancoradas, a Selic deve avançar acima da taxa de 14,25% já contratada para a reunião de março do Copom.

CPI nos EUA, sabatinas de Powell no Congresso e mais destaques

Para além do IPCA de janeiro, o calendário econômico tem outros indicadores importantes.

Por aqui, entre quarta e quinta, saem os números de dezembro e do acumulado de 2024 do setor de serviços e do varejo. Dessa forma, os agentes financeiros aguardam os desempenhos para calibrarem as previsões de crescimento do PIB do Brasil no ano passado.

Enquanto nos Estados Unidos, entre quarta e sexta, a agenda da semana tem dos dados de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI). Bem como resultados das vendas no varejo e produção industrial. Todos referentes a janeiro.

Porém, as atenções do mercado global estarão nas sabatinas do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Congresso.

Powell irá apresentar o relatório semestral de política monetária do Fed e será interpelado pelos congressistas americanos na terça e na quarta.

Calendário econômico – 10 a 14 de fevereiro

Segunda (10)

08h25: Boletim Focus (Banco Central)

Terça (11)

09h00: IPCA/Taxa de inflação de janeiro (IBGE)
12h00: Sabatina do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Senado dos Estados Unidos

Quarta (12)

09h00: Dados de dezembro e do acumulado de 2024 do setor de serviços (IBGE)
10h30: CPI/Taxa de inflação de janeiro nos Estados Unidos
12h00: 12h00: Sabatina do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, no Congresso dos Estados Unidos

Quinta (13)

09h00: Dados de dezembro e do acumulado de 2024 do varejo (IBGE)
10h30: IPP/Taxa de inflação aos produtores de janeiro nos Estados Unidos

Sexta (14)

07h00: PIB do 4º trimestre na zona do euro
10h30: Vendas no varejo de janeiro nos Estados Unidos
11h15: Produção industrial de janeiro nos Estados Unidos

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