Assim, nesta edição contamos detalhes sobre a moeda que vigorou no país durante alguns meses antes de o real entrar efetivamente em circulação em julho de 1994.
A moeda antes da moeda era a Unidade Real de Valor, a URV.
A URV era um mecanismo complexo, gestado dez anos antes por Persio Arida e André Lara Resende.
Dessa maneira, a unidade foi adotada sem titubeios pela população.
Quem fez o Plano Real
Mas sua implementação contou com um esforço gigantesco de comunicação. Esforço esse que envolveu até a ida do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ao programa de auditório de Silvio Santos.
‘Plano Real: a moeda que mudou o Brasil’ é uma produção original da Inteligência Financeira em parceria com o Estúdio Novelo e patrocínio do Itaú BBA.
O entrevistado desta semana é André Lara Resende, o ‘Lara’ da Proposta Larida.
Lara Resende e a URV
A entrevista mostra a gestação acadêmica da Proposta Larida, a ida de um dos seus autores para a equipe econômica que criou o Plano Cruzado na década de 1980.
E o início da concepção do Plano Real.
Então, André Lara Resende comenta sobre a importância de Fernando Henrique Cardoso na consolidação da democracia no Brasil. E olha para o futuro do país.
Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, ao lado do presidente Itamar Franco. FHC constantemente fazia a ponte entre a equipe que criou o Plano Real e o Palácio do Planalto. Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo – 20/7/1993
Fernando Henrique Cardoso segura a cartilha da URV. A Unidade Real de Valor foi exaustivamente explicada para a população e dessa estratégia dependia o sucesso inicial do Plano Real. Foto: Wilson Pedrosa/Estadão Conteúdo – 1/3/1994
FHC posa com as cédulas do Plano Real. A logística de distribuição das cédulas envolveu importação de papel moeda, uso de figuras repetidas e até transporte por navio. Foto: Getúlio Gurgel / Acervo Instituto FHC
O Plano Cruzado foi a principal aposta do presidente José Sarney para conter a inflação. O governo pediu apoio da população para fiscalizar os preços, que estavam congelados. A foto é de março de 1986. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo – 3/3/1986
O Plano Cruzado fracassou e o destino de outro plano, o Verão, foi o mesmo. Na imagem, consumidores se deparam com prateleiras vazias em supermercados. Era 1989, quase no fim do governo Sarney. Foto: Norma Albano/Estadão Conteúdo – 31/1/1989
A remarcação de preços era uma constante no Brasil na época da hiperinflação. A famosa máquina retratada na imagem era bastante usada na época. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo – 6/11/1988
A ministra Zélia Cardoso de Mello explica em entrevista coletiva o Plano Collor. O principal ponto do programa foi o que causou mais aflição na população: as poupanças dos brasileiros foram confiscadas. O plano também fracassaria. Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo – 16/3/1990
Correntistas fazem fila em agência do banco Banespa, em São Paulo, para desbloquear o dinheiro retido desde a implantação do Plano Collor. A imagem é de 1991 e o plano já havia fracassado. Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo – 15/8/1991
A formação da equipe econômica que formularia o Plano Real continha nomes importantes como o de Pedro Malan, que antes de assumir a presidência do Banco Central era o negociador da dívida externa brasileira com o FMI. Foto: Álvaro Motta/Estadão Conteúdo – 20/11/1994
Os economistas Persio Arida e Gustavo Franco também integravam a equipe que idealizou o plano que mudou o Brasil. O registro fotográfico é de 1995. O Plano Real já havia dado certo e caído no gosto da população. Foto: José Paulo Lacerda/Estadão Conteúdo – 10/03/1995
Membro da Academia Brasileira de Letras e economista, Edmar Bacha foi quem rabiscou o Plano Real em um papelzinho azul no apartamento de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda. Foto: Tasso Marcelo/Estadão Conteúdo – 28/8/1995
1994 é o ano zero do Plano Real, mas também está repleto de acontecimentos marcantes. Na foto, o capacete de Ayrton Senna repousa sobre o caixão que abriga o corpo do piloto, morto em um acidente automobilístico durante uma prova de Fórmula 1 na Itália. Foto: Luiz Prado/Estadão Conteúdo – 6/5/1994
Cortejo com o corpo do piloto Ayrton Senna parou as principais ruas de São Paulo. Foto: Milton Michida/Estadão Conteúdo – 4/5/1994
Mas 1994 é também o ano da conquista do tetracampeonato pela seleção brasileira de futebol. A vitória nos Estados Unidos, nos pênaltis, diante da Itália marcou o fim do jejum de títulos que já durava 24 anos. Desde 1970 o Brasil não vencia uma Copa do Mundo. Foto: Gábio M. Salles/Estadão Conteúdo – 17/07/1994
São Paulo também parou para receber os tetracampeões, que desfilaram em carro aberto. Foto: Nelson Almeida/Estadão Conteúdo – 29/07/1994
Para alguns, a consolidação definitiva das conquistas alcançadas com o Real veio apenas com a troca de poder. Fernando Henrique deixou a presidência e Lula assumiu. Ele manteria, em muitos aspectos, a política econômica dos anos de FHC. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 11/9/2003
“A moeda indexada, a URV, foi o ‘Ovo de Colombo’ para derrotar a inflação inercial. A inflação não é um déficit, não é provocada pelo déficit fiscal, é provocada por uma desordem fiscal muito grande. É muito mais importante”, conta André Lara durante a conversa.
O papo contou com a participação de Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco.
O ‘Ovo de Colombo’
Dessa forma, cumpre escrever aqui que ‘Ovo de Colombo’ é uma expressão que significa mais ou menos o seguinte: ela refere-se a uma solução muito difícil de se chegar, mas uma vez atingida, mostra-se óbvia.
Então, o episódio conta também sobre como o real passou a ser chamado de real. E ele está imperdível.