Mansueto Almeida, do BTG: ‘Há dúvida se o governo vai aceitar a desaceleração da economia’

Para Mansueto Almeida, governo pode usar bancos para turbinar gastos parafiscais; 'se não tivesse incerteza compraria ações do BB'

O economista-chefe do BTG Pactual Mansueto Almeida afirmou, nesta terça-feira (25), que medidas do governo para cortar despesas não vêm inspirando confiança no mercado. A fala foi feita durante a CEO Conference, evento do banco para empresários e clientes.

Assim, Mansueto acredita que bancos públicos podem ser usados para frear a retração da atividade econômica. ‘Há dúvida se o governo vai aceitar a desaceleração da economia’, diz.

A fala de Mansueto vem em um contexto em que a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em queda livre. Segundo pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira (25), Lula passou a ter uma avaliação negativa maior do que a positiva e a desaprovação pessoal do presidente também superou o percentual daqueles que aprovam o seu trabalho.

Programas parafiscais

Para o economista do BTG, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil podem ser usados para a implementação de programas parafiscais do governo (que não são feitos via orçamento).

Ele citou a medida provisória (MP) que autoriza trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário do Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço (FGTS) a fazer, também, o saque-rescisão.

A MP do FGTS deve injetar R$ 10 bilhões na economia, prevê o executivo do BTG. Apesar disso, Mansueto defende que a União deveria ser mais conservadora nos gastos.

“Se tivesse certeza de que o governo não irá usar bancos públicos, compraria ações do Banco do Brasil (BBAS3)”, comentou, justificando que as ações do BB estão baratas.

Horas antes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou no mesmo evento que o novo consignado terá juros de 50% a 70% menores do que empréstimos oferecidos às pessoas físicas.

“Os programas anunciados machucam a ancoragem de expectativas sobre a política monetária”, disse Mansueto.

Em outras palavras, ao aumentar os gastos, o governo pressiona a inflação, o que, por sua vez, mantém os juros em patamares elevados.

Déficit nominal deve aumentar acima de 9%

Assim, de acordo com o economista, a preocupação do mercado envolve falta de confiança no governo.

Até o momento, os anúncios de corte de despesas não foram suficientes para reduzir o que Mansueto chama de “serviço com a dívida”. Ou seja, o total de gastos com o pagamento de juros.

“Todo o esforço que o governo faz de controlar a despesa não se traduz em ganho da credibilidade para reduzir o serviço com a dívida”, conclui o economista.

Segundo estimativas do economista, o déficit nominal (diferença entre as receitas e as despesas do governo, incluindo os juros da dívida) em relação ao PIB deve aumentar de 8,4% para 9% neste ano.

Leia a seguir