Elon Musk pede lista de tarefas a funcionários públicos e compra briga até com FBI

O bilionário Elon Musk colocou lenha na fogueira do funcionalismo público americano neste final de semana.
Ele, que atua ao lado de Donald Trump como chefe do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês), enviou um e-mail em massa pedindo a agenda de entregas dos funcionários públicos.
Na mensagem, que Musk enviou a toda a máquina federal, ele disse que quer conhecer, em formato de tópicos, a produção efetiva dos servidores. Pediu, assim, a lista de tarefas dos funcionários na última semana. Junto ao e-mail, um ultimato: a não resposta à mensagem será o mesmo que um pedido de demissão.
A tesoura de Elon Musk
Elon Musk recebeu de Trump o mandato de cortar a burocracia federal. Cerca de 20 mil já foram demitidos. E, segundo Trump, 75 mil aceitaram a inclusão num plano de demissão voluntário.
Foi nesse contexto que o e-mail do empresário e bilionário atingiu os servidores no final de semana.
Pentágono e outras agências federais americanas, incluindo aquelas agora dirigidas por colaboradores leias de Trump, rejeitaram o pedido de imediato.
Segundo a agência de notícias AFP, essa resistência indica um possível atrito entre figuras chave da administração Trump e o bilionário, dono da Tesla, do X e da SpaceX.
Briga com o FBI
Funcionários públicos federais disseram à AFP que o conselho dos superiores é o de não responderem imediatamente ao e-mail de Elon Musk. No domingo, o Departamento de Defesa publicou uma nota pedindo ao seu pessoal para “pausar qualquer resposta” ao e-mail do DOGE.
“O Departamento de Defesa é responsável por revisar o desempenho de seu pessoal e realizará qualquer revisão de acordo com seus próprios procedimentos”, afirmou a entidade, em publicação no X.
O jornal britânico The Guardian conta, então, que Kash Patel, novo diretor do FBI, enviou uma mensagem a seus funcionários no sábado também pedindo que ignorem o email de Musk.
Os sindicatos também reagiram. A Federação Americana de Funcionários Governamentais (AFGE), o maior sindicato do serviço público americano, prometeu contestar qualquer demissão ilegal.
Pelo menos 20 mil funcionários federais foram demitidos até agora pelo governo Trump. A maior parte das rescisões, entretanto, é de contratados novos, que ainda não contam com as proteções do serviço. Além disso, a Casa Branca alega que mais de 75 mil funcionários aderiram ao plano de demissão voluntária.
O expurgo de funcionários públicos gera especulações de que Trump opera uma das maiores rodadas de corte de empregos da história dos EUA. Isso, comenta-se no mercado financeiro, pode ter um poderoso efeito em cascata na economia americana.
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