Marinho: Mercado fica ‘nervosinho’ e considera ‘ruim’ números positivos do mercado de trabalho

Ministro diz que a reação do mercado financeiro é equivocada e prejudica a economia real

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira que o mercado financeiro fica “nervosinho” e considera “ruim” quando são divulgados números positivos do mercado de trabalho. As críticas foram feitas em entrevista coletiva para comentar os referentes ao mês passado, divulgados mais cedo pela pasta.

Na segunda-feira (24), Marinho afirmou que o Caged mostraria geração líquida de aproximadamente 100 mil vagas formais de emprego em janeiro. A declaração ajudou a elevar no dia as taxas de juros futuras, já que o número poderia indicar, segundo agentes do mercado, uma economia mais aquecida do que o previsto. Isso, por sua vez, poderia fazer o Banco Central (BC) conduzir uma política monetária mais contracionista do que calculava a princípio.

“Parece que o mercado ficou nervosinho”, disse Marinho nesta quarta-feira, referindo-se aos efeitos de suas declarações de dois dias atrás.

De acordo com ele, a economia de uma forma geral, as famílias e as empresas “reagem com políticas públicas de aumento real do salário mínimo”, como a implantada pelo governo federal. “Esse (famílias e empresas) é o verdadeiro mercado, não o que está na Faria Lima, que só publica baboseira”, disse. “Também há o estranhamento com o mercado achar que geração de emprego é ruim.”

Os números divulgados no Caged desta quarta-feira mostraram criação líquida de mais de 137 mil vagas em janeiro, bem acima do indicado pelo ministro há dois dias, o que , com dólar e juros futuros em alta e Ibovespa em queda.

“Como será a reação de hoje do mercado então?”, ironizou Marinho.

O ministro afirmou também que “não é que geramos muitas” vagas em janeiro, dizendo que “queria os 173 mil [postos líquidos gerados em] janeiro do ano passado”. Ele atribuiu o crescimento menor, na comparação com o mesmo período de 2024, à elevação de juros pelo BC, .

Marinho ainda repetiu raciocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que, “por menor que seja o recurso, na mão de muitos ele vai virar consumo, produção”. “Muitos recursos na mão de poucos viram ação na Bolsa”, disse o ministro.

*Com informações do Valor Econômico

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