Preço da carne vai dar alívio no trimestre, mas voltará a subir no decorrer de 2025

O preço da carne bovina deve cair no curtíssimo prazo, mas voltará a subir em 2025. A análise é de Luciana Rabelo Ribeiro, economista do Itaú. A especialista falou à Inteligência Financeira após a divulgação do IPCA de janeiro. A inflação desacelerou a 0,16%. Havia sido de 0,52% em dezembro.
“A gente, por exemplo, pra fevereiro espera deflação da carne bovina”, afirma Rabelo. “Você teve algum payback ali daquela alta forte que a gente viu no início do ano nos preços do boi, do preço do atacado, a gente tá vendo essa parte da carne bovina desacelerando no IPCA. Isso deve continuar durante o primeiro trimestre do ano, mas pro ano fechado a gente ainda vê por conta da mudança, de uma virada de ciclo, a proteína vai ficar pressionada”, complementa a especialista.
Ciclo do boi afeta preço da carne
A alta da carne tem a ver com a mudança do que o mercado e os especialistas chamam de ciclo do boi. Grosso modo, quando há crescimento do gado para o abate existe menos oferta no mercado. “Pro ano, a gente ainda vê uma alimentação a domicílio pressionada, alta de 8% no ano. Parte dessa alta, a maior parte dessa alta tem a ver com proteína”, completa a economista do Itaú.
A pressão no preço da carne bovina, por extensão, afeta também o frango e a carne de porco. O subitem carne no IPCA de janeiro registrou alta de 0,36%. Foi um desempenho bem abaixo do registrado em dezembro – alta de 5,26%. O filé mignon, que chegou a subir quase 10% no fim do ano passado, aumentou menos: 2,83%.
O preço dos alimentos é uma preocupação do atual governo. O presidente Lula chegou a dizer recentemente que a população deveria evitar comprar produtos que considerasse caros. A declaração foi alvo de críticas.

Assim, cabe lembrar que o resultado da inflação oficial em janeiro foi a menor registrada desde a implementação do Plano Real.
Muito do resultado tem sido atribuído ao chamado Bônus de Itaipu. O preço da energia caiu e o impacto no IPCA foi enorme. O efeito não se repetirá em fevereiro e o Itaú, comenta Luciana, ainda acredita que a inflação em 12 meses no fim do ano chegará a 5,8%. Será, portanto, mais um ano de estouro da meta inflacionária.
Então, diante desse cenário espera-se que o Comitê de Política Monetária (Copom) siga aumentando a taxa de juros básica da economia. A Selic atual é de 13,25% ao ano.
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