Profissionais olham para a “empregabilidade verde”

Em pesquisa com mil brasileiros, 63% dizem que provavelmente procurarão emprego em uma área que tenha um impacto positivo direto sobre o meio ambiente

A questão climática começa a mudar a percepção sobre carreira e o futuro da empregabilidade, indica uma nova pesquisa da Pearson com 5 mil entrevistados de cinco países em novembro, incluindo 1.000 brasileiros. Pouco mais da metade dos entrevistados afirmam que provavelmente procurarão emprego em uma área que tenha um impacto positivo direto sobre o meio ambiente – e, no Brasil, esse percentual é de 63%.

O estudo questionou os entrevistados a respeito de “habilidades verdes”, capazes de navegar por novos mercados, funções e cenários que estão surgindo com a transição para uma economia menos poluente e mais sustentável. Apenas 1 em cada 10 entrevistados diz que está muito familiarizado com a ideia de habilidades verdes- 14% mostraram-se “muito familiarizados” no Brasil. Apesar disso, 72% dos entrevistados concordam que as oportunidades de carreira em empregos considerados verdes, que não trazem impacto ambiental severo e que garantem o futuro das próximas gerações, aumentarão nos próximos 10 anos.

A partir das pesquisas e tendências da Pearson, Juliano Costa, vice-presidente de Produtos Educacionais da Pearson Latam, divide as habilidades verdes em quatro grandes grupos: ciência, matemática, programação e pensamento crítico. Já com relação aos empregos verdes, em sua visão, eles surgirão de novas demandas e modelos de negócios ESG, mas principalmente da “verdificação” de empregos tradicionais. “A partir, por exemplo, da adoção de tecnologias que criem máquinas menos poluentes, serviços mais eficientes e que consumam menos energia”. Empregos relacionados a logística, produção, tecnologia e ciência de dados irão exigir criatividade dos profissionais para tomar novos tipos de decisões, afirma.

Na pesquisa, a maioria dos entrevistados em todo o mundo (86%) apoia o acesso a treinamento para empregos verdes. “É preciso que universidades e faculdades adaptem seus currículos para essa realidade mais verde, empresas e governos requalifiquem mas os próprios profissionais estudem de modo constante o que envolve questões ambientais”.

No estudo, 42% dos entrevistados pensam que “construir uma compreensão básica dos conceitos científicos” é a principal habilidade no mundo do trabalho para construir uma economia verde. Capacidade de resolver problemas foi apontado por 29% e pensamento criativo por 24%. Habilidades como programação e modelagem de dados foram menos citadas.

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