Reajuste anual de medicamentos ficará abaixo da inflação, projetam bancos
O reajuste médio dos medicamentos neste ano deve girar na casa dos 3,8% (variando de 2,5% a 5% conforme o tipo de remédio), segundo estimativas dos bancos Citi, Itaú BB, BTG, Goldman Sachs e XP.
Se confirmado, o indicador fica abaixo da inflação projetada de 5,6% (IPCA) e será o menor repasse desde 2018, quando o aumento médio foi de 2,4%. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulga o reajuste oficial no fim de março, com os novos preços valendo a partir de 1º de abril.
Segundo os analistas dos bancos, a expectativa é de impacto negativo sobre as empresas Raia Drogasil, Hypera, Blau, Viveo e Oncoclínicas, que têm contratos vinculados ao índice CMED, da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
“Observamos que 77% das classes terapêuticas regulamentadas (incluindo alguns sucessos de venda como o GLP-1), atualmente, estão dentro do nível de reajuste 3 (ou seja, 2,5% de aumento de preço), seguido por 15% no nível 2 e 8% no nível 1”, destacam os analistas do Citi, Leandro Bastos e Renan Prata.
A XP acredita que um dos indicadores da fórmula de reajuste dos medicamentos, o Fator Y (divulgado ontem e que ficou abaixo das projeções iniciais do mercado), deve continuar pressionando os reajustes no ano que vem, “já que, em meio à queda dos custos de energia e câmbio, a redução não é repassada aos consumidores, mas como um saldo para atuar como deflator”.
Na percepção dos analistas do Itaú BBA, Vinicius Figueiredo e Rodrigo Gastim, as varejistas farmacêuticas são mais afetadas com “impacto direto nas margens das companhias dado que nos últimos dois anos a inflação e os reajustes ficaram praticamente iguais”.
Figueiredo e Gastim acreditam que o lucro da RD Saúde será 7% menor do que as estimativas anteriores por conta desses baixos reajustes, enquanto em 2026 será 8% menor. Há também risco de exclusão do ICMS da base do PIS e Cofins, o que deixaria os reajustes menores ainda. Essa visão é compartilhada pelas equipes do Goldman Sachs e BTG.
“As varejistas têm boa parte das suas receitas atrelada a medicamentos regulados, mas que há espaço para redução de descontos e aumento em preços de outros produtos para reduzir o impacto dos menores reajustes”, diz trecho do relatório do BTG.
Os analistas Vinicius Figueiredo e Rodrigo Gastim, do Itaú BBA, escrevem que mesmo considerando um reajuste conservador de 3,7%, os efeitos na Hypera são limitados, já que a maior parte do seu portfólio não é de remédios regulados.
“Há espaço para a companhia mitigar esses efeitos ao aumentar preços no restante dos seus produtos”, comentam. Figueiredo e Gastim, do Itaú BBA, calculam que somente 40% do portfólio da Hypera são regulados. Os analistas do Goldman lembram ainda que essa fatia de 40%, cerca de metade está na categoria de genéricos, na qual a empresa poderia compensar reajustes menores com uma mudança em sua estratégia de descontos em meio à alta concorrência neste segmento. “Em nossa visão, o tema principal para a Hypera nos próximos trimestres ainda será o ritmo de otimização do capital de giro”, dizem os analistas do Goldman.
*Com informações do Valor Econômico
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