Sem acordo sobre reajuste, servidores do BC mantêm greve

Nesta terça (12), os trabalhadores se reuniram com a diretora de administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, mas não houve avanço, segundo o sindicato que representa a categoria

Sem acordo sobre o reajuste salarial, os servidores do Banco Central (BC) aprovaram a manutenção da greve com 80% dos votos favoráveis em assembleia realizada nesta terça-feira (12).

Mais cedo, os trabalhadores se reuniram com a diretora de administração da autarquia, Carolina de Assis Barros, mas não houve avanço, segundo o sindicato que representa a categoria.

“A reunião com a diretora foi para dizer que o presidente Roberto [Campos Neto] não ia atender”, contou o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central do Brasil (Sinal), Fabio Faiad.

De acordo com o sindicato, os servidores tinham um encontro com Campos na segunda-feira (11), mas foi desmarcado sem justificativa. “Foi aprovada a continuidade da greve hoje por mais de 80% dos votos. Esperamos um posicionamento oficial por parte do governo”, disse Faiad.

Participaram da assembleia 1.300 trabalhadores.

Reivindicações

A categoria reivindica reajuste de 27% e reestruturação de carreira. Eles, que estão em greve desde 1º de abril, começaram a se mobilizar após o Congresso aprovar previsão de reposição apenas para policiais federais no Orçamento de 2022, com apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nesta semana, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e outros indicadores não serão divulgados em razão da greve. O dado, relativo a fevereiro, estava previsto para sair na quinta-feira (14), às 9h. O relatório Focus, que reúne projeções do mercado para os principais indicadores da economia, também foi adiado pela segunda semana seguida. A pesquisa sai toda segunda-feira às 8h25.

Os indicadores econômicos selecionados (fluxo cambial e resultado das operações cambiais da autoridade monetária, por exemplo) também não serão publicados. Normalmente, as estatísticas são divulgadas às quartas-feiras às 14h30. Os dados serão adiados pela terceira semana.

“Devido à greve em curso, relatórios, notas e indicadores do BC não serão divulgados nas datas previstas, incluindo Focus, Indeco, Relatório de Poupança e IBC-Br. Oportunamente, informaremos com 24 horas de antecedência as novas datas para as divulgações”, informou a autoridade monetária em nota, na última sexta-feira (8).

De acordo com a Associação Nacional dos Analistas do Banco Central do Brasil (ANBCB), a implementação do projeto piloto da moeda digital, prevista para o quarto trimestre deste ano, também deve atrasar por causa da greve.

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