Tarifa de 25% de Trump pode reduzir exportação brasileira de aço em até US$ 0,7 bi

O cálculo é do Bradesco, que estimou que a preços de hoje, o valor é equivalente a uma redução potencial de 1 milhão de toneladas

A tarifa de 25% estabelecida para as importações de aço pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode reduzir em até US$ 0,7 bilhão a exportação brasileira do item.

O cálculo é do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco. Assim, a preços de hoje o valor é equivalente a uma redução potencial de 1 milhão de toneladas.

O banco utilizou uma conta de elasticidade preço. O Brasil exportou US$ 4,1 bilhões (5,8 milhões de toneladas) para os EUA em 2024, o equivalente a 60% de todo o aço brasileiro embarcado.

A tarifa de 25% sobre importações americanas de aço foi estabelecida em ordem executiva do dia 10 e deve entrar em vigor a partir de 12 de março, quando deixarão de valer as cotas e isenções que se aplicam atualmente nas exportações do setor aos Estados Unidos. A expectativa é que haja negociação diplomática sobre o tema.

O impacto medido com a aplicação da tarifa de 25%, diz o banco, pode ser mitigado por conta de características dos produtos de aço vendidos aos americanos.

A maioria da exportação brasileira, diz boletim assinado por Rafael Murrer, é composta por produtos semi-acabados de aço. Estes produtos servem de insumo para a indústria norte-americana e tendem a ter uma elasticidade preço menor do que a usual.

Então, cerca de 20% do consumo aparente norte-americano é dependente do aço importado e o Brasil é o segundo maior fornecedor.

Alumínio

O alumínio também foi taxado a 25% por Trump. Mas as exportações desse metal não alcançam US$ 200 milhões. Logo, as tarifas não têm impacto relevante para a balança comercial, ainda que o setor sofra alguma efeito negativo, diz o banco.

Os impactos estimados das medidas já anunciadas sobre o aço e o alumínio são relativamente pequenos para a economia como um todo, conclui o banco. Contudo, podem ter impactos setoriais mais importantes.

O boletim também menciona que Trump sinalizou intenção de taxar os parceiros comerciais na mesma magnitude que é taxado. Caso isso se concretize, a tarifa média imposta pelos EUA passaria dos atuais 2,2% para 11,3%. Isso considerando que todas as aberturas se igualam às tarifas de importação cobrada pelo Brasil. Então, nesse cenário, haveria redução de cerca de US$ 2 bilhões nas exportações brasileiras.

Em um exercício hipotético, a depreciação equivalente do real, necessária para compensar essa perda, seria da ordem de 1,5%, com um impacto potencial estimado ligeiramente inferior a 0,1 ponto percentual no IPCA, como resposta direta à depreciação cambial.

Com informações do Valor Econômico.

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