Funcionários da Eletrobras entram em greve por tempo indeterminado

Funcionários da Eletrobras e das subsidiárias Furnas e do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) entraram em greve por tempo indeterminado a partir de ontem.
A Eletrobras confirmou que os sindicatos que representam os empregados informaram a holding sobre a greve. Segundo a companhia, há planos de contingência para que serviços essenciais não sejam descontinuados.
De acordo com a Associação dos Empregados da Eletrobras (AEEL), o motivo da mobilização é a mudança no plano de saúde da empresa. Em nota, a associação afirmou que o plano proposto pela estatal do setor elétrico tem cobranças abusivas.
Segundo a AEEL, com as alterações propostas no plano de saúde, um trabalhador que precise de internação como consequência da covid-19 pode ter um prejuízo de até R$ 5 mil.
“A empresa também vem alterando de forma unilateral resoluções internas que só poderiam ser feitas mediante negociação com as entidades sindicais”, afirma a associação.
A AEEL também critica o processo de privatização da estatal, atualmente em curso. A expectativa do governo é realizar a capitalização e consequente redução da participação da União no capital da companhia no primeiro semestre deste ano.
O pedido de registro da oferta de ações da companhia estatal elétrica está previsto para o segundo trimestre deste ano.
A associação dos trabalhadores da empresa critica o cronograma e a publicação antecipada das demonstrações financeiras da empresa de 2021.
A antecipação da publicação dos dados financeiros é necessária para que a privatização ocorra dentro do prazo previsto.
O avanço do processo de privatização ainda depende também da avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU), que adiou a análise em dezembro.
A Eletrobras informou ontem que a quantidade de funcionários que aderiu ao movimento ainda estava em apuração até a tarde de ontem, devido ao retorno ao trabalho remoto este mês, com o aumento dos casos de covid-19 e influenza na cidade do Rio de Janeiro. A estatal tem atualmente 12.160 empregados.
De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), bases da companhia no Rio de Janeiro, Brasília, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e São Paulo tinham faixas de apoio à greve na manhã de ontem.
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