CEO do Itaú: ‘Temos muito conforto com agendas de ESG e diversidade’

Milton Maluhy Filho indicou que banco não vai tomar medidas 'por moda'

Empresas citadas na reportagem:

O CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou que o banco tem muito conforto com suas agendas de diversidade e de princípios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). Portanto, não fará nenhuma mudança.

“Não tomamos medida por moda, mas por convicção, até para não ficar à mercê das tendências”, disse.

Segundo ele, alguns retrocessos que estão sendo vendo em empresas dos Estados Unidos têm a ver com as políticas do novo presidente, Donald Trump. Mas o Itaú não vai alterar suas agendas.

O banco inclusive anunciou um aumento na sua meta de crédito sustentável. Que passou de R$ 400 bilhões para R$ 1 trilhão, a ser atingida até 2030.

Maior participação dos lucros paga aos funcionários

Também na conferência de resultados, o CEO do Itaú disse que as despesas do banco foram impactadas por três fatores. Maior participação dos lucros paga aos funcionários, provisões trabalhistas e investimentos.

“Nosso modelo para provisões trabalhistas é também de perda esperada, o que nos traz um grau de cobertura bem grande”, disse.

Além disso, Maluhy Filho afirmou que o ciclo de investimentos do banco ainda não está completo. Mas que a instituição já “passou do meio do caminho” nesse processo.

“Isso vai nos permitir dar saltos muito mais altos em eficiência daqui para frente.”

Casos Alex Broedel e Eduardo Tracanella

Sobre o caso do ex-CFO Alexsandro Broedel, acusado pelo banco de atuar em benefício próprio na contratação de pareceres, o CEO comentou que fala a favor da governança da instituição.

“Não houve falha de controle”, disse a jornalistas. “É sempre mais confortável não dar luz a esses eventos e isso fala sobre a governança do banco.”

Então, Maluhy Filho afirmou que a instituição tem uma “cultura ética inegociável”. Bem como tomou as medidas cabíveis, nas esferas cível e criminal. “Vamos seguir perseguindo isso.”

Nesse sentido, o Itaú protocolou em dezembro uma ação civil contra Broedel e Eliseu Martins, um dos maiores especialistas em contabilidade do país. Isso após identificar uma sociedade e transferências de recursos entre os dois que teriam beneficiado financeiramente o agora ex-executivo da instituição.

Na semana passada, a instituição ajuizou uma ação indenizatória contra o ex-vice-presidente financeiro, na qual pede o ressarcimento de R$ 3,350 milhões.

Assim, Maluhy reforçou a posição do Itaú de que o ex-CFO e Martins nunca haviam declarado a existência da sociedade ao banco. “É um claro indício de má-fé”, disse. “Uma vez que isso foi descoberto, o banco tomou todas as medidas necessárias.”

Já sobre o caso da demissão do ex-diretor de marketing do Itaú Eduardo Tracanella por mau uso do cartão corporativo, o CEO defendeu que são casos diferentes e isolados.

Por fim, ele acrescentou que a má conduta do diretor foi identificada no monitoramento do banco, o que também falaria a favor dos processos internos. “Não temos nenhum outro caso em discussão, não estamos dentro de uma crise”, concluiu.

Com informações do Valor Econômico

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