C6 Bank lucra R$ 2,3 bi em 2024 e projeta forte expansão do crédito

O C6 Bank anunciou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões em 2024, revertendo prejuízos e projetando crescimento significativo na carteira de crédito

O C6 Bank registrou lucro líquido de R$ 2,270 bilhões em 2024, revertendo o prejuízo de R$ 671 milhões em 2023 e marcando seu primeiro resultado anual positivo desde que foi criado, em 2019. A rentabilidade (ROE) ficou em quase 60%.

“Encerramos 2024 com um crescimento forte em todas as áreas de negócio e com um resultado expressivo que só reforça a consistência do nosso modelo de negócio”, diz Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank.

A receita líquida do banco apresentou crescimento de 45,1% entre 2023 e 2024, encerrando o ano passado em R$ 8,048 bilhões. No mesmo período, as despesas operacionais tiveram redução de 2,6%, para R$ 3,045 bilhões. Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) registraram queda de 20,8%, fechando o ano em R$ 1,914 bilhão.

“Consequência natural do trabalho”

Para Kalim, chegar ao lucro é consequência natural do trabalho contínuo de gerar receitas crescentes sem perder de vista o controle dos custos. “Nós tínhamos bastante consciência que isso ia acontecer. Nossa receita líquida cresceu basicamente de R$ 3 bilhões para R$ 8 bilhões de 2022 para 2024, com custo estável. Esse é o segredo do nosso modelo de negócio”, diz.

O JP Morgan, que tem uma fatia de 46% no C6, celebrou o desempenho do banco. “Esse resultado tão importante é reflexo da dedicação e visão estratégica de toda a equipe do C6 Bank. Desde o início, o crescimento e a resiliência do negócio têm sido notáveis, e estamos ansiosos para acompanhar o sucesso contínuo do banco”, diz, em nota, Sanoke Viswanathan, executivo-chefe de varejo bancário internacional e gestão de fortunas no banco americano.

A carteira expandida do C6 chegou a R$ 59,969 bilhões em dezembro, uma alta de 29,9% na comparação com o ano anterior. Uma fatia de 77,5% do portfólio é crédito com colateral, com destaque para o consignado, que responde por 46% do total. O índice geral de inadimplência terminou 2024 em 2,6%, de 3,4% um ano antes, enquanto o custo do crédito sobre a carteira caiu para 0,3%, de 0,5%.

Segundo Kalim, é possível crescer a carteira em quase R$ 25 bilhões este ano (algo perto de 40%), mesmo em meio ao contexto macroeconômico desafiador. “O cenário macro, para mim, é basicamente o mesmo do ano passado. Não estava otimista sobre o ano passado e não estou otimista sobre este ano. Mas também não vejo nenhuma grande deterioração.”

35 milhões de clientes

Com cerca de 35 milhões de clientes, o C6 Bank tem um portfólio de mais de 100 produtos, serviços e funcionalidades. Para o CEO, o cenário de maior competição na alta renda, onde o banco se especializou, não assusta. “Os outros bancos estão reformulando a alta renda. A gente não precisa mudar porque esse sempre foi nossa estratégia”.

Segundo ele, além de funcionalidades, uso de inteligência artificial e benefícios como a sala VIP – o banco lançou seu lounge em Guarulhos antes dos rivais, no início de 2023 –, um diferencial do C6 é a segurança. “Nesse critério, estamos bem à frente de outros bancos, e para a alta renda isso é ainda mais importante.”

Sobre Tim: cada um para o seu lado

Este mês, depois de quase quatro anos, o C6 encerrou uma disputa com a TIM, pagando R$ 520 milhões para recomprar a fatia da operadora de telefonia no banco, após um acordo entre ambos feito em 2020. Kalim não dá detalhes, mas diz que a compra das ações não afeta as fatias dos sócios atuais, e que C6 e TIM foram cada um para o seu lado. “O acordo que tínhamos com eles era para trazer clientes. O que posso dizer é que não devemos mais repetir esse tipo de acordo”.

Em pessoa jurídica, o C6 chegou a mais de 2 milhões de clientes, que já representam 10% da carteira de crédito. Segundo o CEO, essa é uma área que está ganhando tração e deve ter um forte crescimento este ano. “Talvez estivéssemos atrasados em algumas funcionalidades, mas agora tiramos esse atraso e estamos bastante competitivos.”

O C6 terminou 2024 com um índice de Basileia de 12,4%, sendo 10,3% capital Nível 1. Para Kalim, o banco não gosta de trabalhar com muito excesso de capital e os resultados que estão sendo gerados são suficientes para manter o ritmo de crescimento previsto. Ainda assim, os sócios estão dispostos a colocar mais dinheiro se necessário. “Se houver uma oportunidade de crescimento maior, os sócios vão prover”.

*Com informações do Valor Econômico

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