Dona do Google, Alphabet encerra programa para ampliar a diversidade entre funcionários

O Google, empresa da Alphabet (GOGL34) vai abandonar sua meta de contratar funcionários de grupos historicamente sub representados. A empresa anunciou que revisou alguns de seus programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI), seguindo uma tendência de outras gigantes da tecnologia que também reavaliam suas abordagens nessa área.
Segundo o jornal Wall Street Journal, em um e-mail enviado aos funcionários nos Estados Unidos nesta quarta-feira (5), a empresa informou que não estabelecerá mais metas específicas de contratação para aumentar a representatividade da equipe.
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O programa começou em 2020, após os protestos por justiça racial desencadeados pelo assassinato de George Floyd pela polícia. Então, o Google estabeleceu como objetivo aumentar em 30% a presença de grupos que integram minorias, como negros, pessoas trans e latinos em cargos de liderança até 2025.
O compromisso constava inclusive em relatório divulgado todos os anos pela empresa, desde 2021. A menção, no entanto, não consta na edição publicada nesta quarta-feira. O documento afirmava que o Google se comprometia em integrar a diversidade, equidade e inclusão em todas as suas operações. Assim como em construir uma força de trabalho representativa de seus usuários.
O relatório de diversidade do Google de 2024 apontou que 5,7% dos seus funcionários nos EUA eram negros e 7,5% latinos. Em 2020, esses números eram 3,7% e 5,9%, respectivamente.
Google vai rever decisões judiciais sobre diversidade
Assim, a empresa também declarou que vai analisar a continuidade ou não desses relatórios anuais sobre diversidade, algo que faz desde 2014. Essa avaliação faz parte de uma revisão mais ampla de suas doações, treinamentos e iniciativas relacionadas ao tema. Isso inclui aquelas que, segundo o e-mail obtido pelo Wall Street Journal, “apresentam riscos ou não tiveram o impacto esperado”.
Além disso, o Google mencionou que revisa decisões judiciais recentes e ordens executivas do governo Trump que impõem restrições às políticas de diversidade em instituições governamentais e empresas contratadas pelo governo. A empresa “avalia mudanças necessárias para se adequar às novas regulamentações”, segundo o comunicado.
Apesar das mudanças, o Google afirmou que manterá a estratégia de abrir e expandir escritórios em cidades com força de trabalho diversificada.
“Investiremos em diversos estados dos EUA e em muitos países ao redor do mundo. Mas, no futuro, não teremos mais metas aspiracionais”, disse o e-mail, ainda de acordo com o Wall Street Journal.
Procurada, a operação do Google no Brasil não retornou os questionamento da reportagem sobre a extensão e impactos da decisão na divisão local.
Alphabet segue movimento de outras empresas
Recentemente, e desde a eleição de Donald Trump, outras grandes empresas de tecnologia tomaram medidas parecidas.
No mês passado, a Meta (M1TA34), dona do Facebook, desmantelou a equipe responsável por suas iniciativas de diversidade. A empresa eliminou suas metas de representatividade na contratação de mulheres e minorias.
A vice-presidente de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, informou aos funcionários que o cenário legal e regulatório em relação às iniciativas de diversidade, equidade e inclusão nos EUA está mudando.
A Amazon, em dezembro, anunciou que encerrará algumas de suas iniciativas de diversidade e removeu de seu site a frase “diversidade, equidade e inclusão são boas para os negócios”.
Diversas empresas também têm sido alvo de propostas de acionistas para encerrar seus programas de diversidade. A Apple (AAPL34), por exemplo, recomendou que seus acionistas rejeitassem uma proposta do National Center for Public Policy Research, um think tank conservador, que sugeria o fim de suas iniciativas de inclusão e diversidade.
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