Fundo de investimentos da Suzuki busca ‘elefantes’ e não ‘unicórnios’ na Índia

a Suzuki Motor iniciou o apoio a empreendedores sociais envolvidos em projetos de pequeno porte, mas com potencial para causar um grande impacto

Com o objetivo de transformar pessoas de baixa renda da Índia em futuros compradores de carros, a Suzuki Motor iniciou o apoio a empreendedores sociais envolvidos em projetos de pequeno porte, mas com potencial para causar um grande impacto.

Vipul Jindal, fundador e CEO de 29 anos da Next Bharat Ventures, uma subsidiária de investimentos da Suzuki, disse ao Nikkei, site de notícias sobre mercados e startups, que deseja fomentar entre 100 e 200 pequenas e médias empresas que “se movam devagar, mas com certeza alcancem seus objetivos”, assim como os elefantes, animais muito queridos na Índia.

A seguir, trechos editados da entrevista recente com Vipul Jindal.

O que o levou a criar uma empresa de investimentos em 2024?

Entrei para a Suzuki em 2019 e trabalhei em um departamento de pesquisa sobre tecnologias futuras, como direção autônoma. Depois disso, fundei o Suzuki Innovation Center (SIC) em parceria com o Instituto Indiano de Tecnologia de Hyderabad, como base para colaborações com instituições de pesquisa indianas.

Após dois ou três anos dirigindo o SIC, propus a criação de um fundo, argumentando que empreendedores sociais deveriam ser apoiados para melhorar a qualidade de vida do próximo bilhão de pessoas. Muitas pessoas, tanto em áreas rurais quanto nas grandes cidades, não podem comprar um carro e vivem em condições difíceis. Achei que a Suzuki poderia ajudá-las de alguma forma.

O que aconteceu desde a criação da empresa?

Conseguimos formar uma equipe de 19 pessoas, incluindo profissionais deslocados da Suzuki, membros da subsidiária indiana Maruti Suzuki, especialistas em investimentos, consultores, pessoas com experiência em ONGs e empreendedores. Dividimos as responsabilidades entre decidir sobre os investimentos em startups, oferecer suporte pós-investimento e implementar programas de aceleração.

Recebemos mais de 50 empresas do Japão, com as quais compartilhamos iniciativas e informações do SIC. Diferentemente de outras subsidiárias da Suzuki no mundo, não carregamos o nome da empresa, pois queremos ser uma companhia não apenas para a Suzuki, mas para o Japão, a Índia e os 1 bilhão de habitantes indianos. Outras empresas são bem-vindas.

Que tipo de apoio vocês oferecem?

Implementamos um programa em Bangalore, onde empreendedores sociais constroem comunidades e recebem orientação de especialistas, levando a oportunidades de investimento. No total, 1.400 empresas se candidataram, vindas da maioria dos Estados indianos. Em três meses, reduzimos a lista para 13 empresas, das quais selecionamos as destinatárias dos investimentos. Consideramos aportes entre 10 milhões de rúpias (US$ 114 mil) e 40 milhões de rúpias por empresa.

O mais importante é a intenção. Perguntamos por que começaram o que fazem e se realmente querem resolver problemas sociais. Empreendedorismo social é mais difícil do que abrir uma empresa comum. Eles precisam lucrar enquanto resolvem questões sociais, e se não estiverem motivados, vão desistir. Por isso, garantimos essa verificação. Apoiamo-los quando já têm dois ou três anos de experiência no negócio.

Pode dar alguns exemplos?

Um deles é o de uma mulher que compra lã de agricultores que criam ovelhas e a transforma em isolamento térmico para construções. A lã indiana é rígida e se tornou inviável para venda devido ao aumento das importações. Então, ela criou um negócio para mudar isso. O material, de alta retenção térmica, é utilizado em edificações e tem potencial para ser exportado para locais frios, incluindo o Japão.

Outro exemplo é um “banco de cabras”. Agricultores pobres frequentemente criam cabras para gerar renda extra, mas a taxa de mortalidade é alta. Esse negócio fornece cabras vacinadas gratuitamente, e quando elas dão cria, metade dos filhotes é devolvida ao projeto. Os agricultores podem criar ou vender os restantes.

Qual é o objetivo do fundo?

Queremos transformar empresas com faturamento anual de 10 milhões de rúpias em negócios 100 vezes maiores.

Os fundos globais ficam satisfeitos em criar um ou dois unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) a cada dez anos. Mas acreditamos que formar 100 a 200 pequenas e médias empresas causará um impacto muito maior.

Não queremos criar unicórnios. Queremos criar elefantes. Queremos construir empresas que se movam devagar, mas que com certeza atinjam seus objetivos.

A Suzuki começou quando seu fundador criou um tear para facilitar a vida da mãe dele. Empreendedores sociais carregam esse mesmo DNA de resolver problemas.

*Com informações do Valor Econômico

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