Lula visita assentamento do MST em meio à crise política e queda na popularidade

Sob pressão do MST e com popularidade em baixa, Lula visita assentamento pela primeira vez em seu mandato

Em meio a pressões para acelerar o ritmo da reforma agrária no País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará, na próxima sexta-feira (7), um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela primeira vez em seu atual mandato.

O local escolhido foi o assentamento Quilombo Campo Grande, no município de Campo do Meio (MG). Acompanhando o presidente na viagem estarão os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), responsável pelo diálogo com os movimentos sociais.

Lula recebeu lideranças do MST no Planalto

A visita ocorre pouco mais de um mês depois de Lula ter recebido lideranças do MST no Palácio do Planalto, em 30 de janeiro.

Na ocasião, ao convidar o presidente para visitar um assentamento, os líderes do movimento cobraram ações mais concretas na reforma agrária e destacaram que Lula ainda não havia pisado em um assentamento desde que tomou posse em 2023.

Também manifestaram insatisfação com o ritmo de assentamento de novas famílias no terceiro mandato do petista.

“Viemos falar para o presidente que estamos insatisfeitos com a reforma agrária. O que o governo fez está muito aquém do que foi prometido. Somente 3,5 mil famílias foram assentadas nos últimos dois anos”, afirmou à imprensa, na ocasião, João Paulo Rodrigues, integrante da coordenação nacional do MST.

MST quer aumento de verba para programa de agricultura

O movimento também reivindicou aumento no orçamento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar, de R$ 750 milhões para R$ 2 bilhões, além do assentamento de 65 mil famílias em 2025.

À época, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) respondeu que essa meta seria contemplada até o fim de 2026 e prometeu acelerar os assentamentos.

Ocupação do MST em fazenda de cultivo de eucalipto da produtora de celulose Suzano — Foto: Divulgação/Coletivo de Comunicação do MST-BA

Popularidade em queda e pressão sobre ministros

A visita acontece em um cenário de queda acentuada na popularidade de Lula, evidenciada por pesquisas de opinião recentes.

Diante disso, ele tem intensificado viagens pelo País, anunciando obras e programas do governo em estados como Rio de Janeiro, Bahia, Amapá, Pará e Rio Grande do Sul.

A ida ao assentamento do MST, porém, tem um caráter estratégico voltado para a reaproximação com sua base eleitoral mais fiel, um dos pontos de insatisfação recorrente entre a militância.

Outro fator relevante é a pressão do MST sobre o ministro Paulo Teixeira, que chegou a ser alvo de pedidos de demissão por parte do movimento em novembro do ano passado.

O descontentamento com a condução da reforma agrária colocou o ministro na berlinda, especialmente no contexto da reforma ministerial que Lula tem conduzido a conta-gotas.

Por outro lado, o outro ministro que acompanha a viagem, Márcio Macêdo, está em posição mais confortável do que há uma semana.

Lula junto com os ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Alexandre Padilha (Saúde). Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

Com a ida de Gleisi Hoffmann para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), em substituição ao futuro ministro da Saúde, Alexandre Padilha, diminuíram as especulações sobre sua saída da Secretaria-Geral da Presidência.

Com informações do Valor Econômico

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