Ex-secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Winston Fritsch, é o entrevistado desta semana do podcast ‘Plano Real: a moeda que mudou o Brasil’.
O economista participou ativamente da formulação do plano econômico que acabaria com a hiperinflação no país a partir de 1994.
Então, trata-se da quinta edição do podcast, produção original da Inteligência Financeira feita a partir de parceria com o Estúdio Novelo. A série conta com o patrocínio do Itaú BBA.
Assim, durante a entrevista Winston fala de tudo um pouco.
Ele comenta a respeito de sua chegada à equipe econômica, da relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos dois ministros que o substituíram na Fazenda: Rubens Ricupero e Ciro Gomes.
O sucesso do Plano Real
Dessa forma, o trecho que certamente chama mais atenção é aquele em que Winston fala sobre quando a equipe econômica teve alguma certeza de que o Plano Real daria certo.
Mas ao contrário do que muita gente pode pensar, não havia assim tanta segurança em relação ao sucesso do plano.
“A gente só viu que a gente ia fazer uma coisa que ia dar certo quando começou a dar certo e que foi lá para setembro (de 1994)”, conta Winston.
Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, ao lado do presidente Itamar Franco. FHC constantemente fazia a ponte entre a equipe que criou o Plano Real e o Palácio do Planalto. Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo – 20/7/1993
Fernando Henrique Cardoso segura a cartilha da URV. A Unidade Real de Valor foi exaustivamente explicada para a população e dessa estratégia dependia o sucesso inicial do Plano Real. Foto: Wilson Pedrosa/Estadão Conteúdo – 1/3/1994
FHC posa com as cédulas do Plano Real. A logística de distribuição das cédulas envolveu importação de papel moeda, uso de figuras repetidas e até transporte por navio. Foto: Getúlio Gurgel / Acervo Instituto FHC
O Plano Cruzado foi a principal aposta do presidente José Sarney para conter a inflação. O governo pediu apoio da população para fiscalizar os preços, que estavam congelados. A foto é de março de 1986. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo – 3/3/1986
O Plano Cruzado fracassou e o destino de outro plano, o Verão, foi o mesmo. Na imagem, consumidores se deparam com prateleiras vazias em supermercados. Era 1989, quase no fim do governo Sarney. Foto: Norma Albano/Estadão Conteúdo – 31/1/1989
A remarcação de preços era uma constante no Brasil na época da hiperinflação. A famosa máquina retratada na imagem era bastante usada na época. Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo – 6/11/1988
A ministra Zélia Cardoso de Mello explica em entrevista coletiva o Plano Collor. O principal ponto do programa foi o que causou mais aflição na população: as poupanças dos brasileiros foram confiscadas. O plano também fracassaria. Foto: Protásio Nene/Estadão Conteúdo – 16/3/1990
Correntistas fazem fila em agência do banco Banespa, em São Paulo, para desbloquear o dinheiro retido desde a implantação do Plano Collor. A imagem é de 1991 e o plano já havia fracassado. Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo – 15/8/1991
A formação da equipe econômica que formularia o Plano Real continha nomes importantes como o de Pedro Malan, que antes de assumir a presidência do Banco Central era o negociador da dívida externa brasileira com o FMI. Foto: Álvaro Motta/Estadão Conteúdo – 20/11/1994
Os economistas Persio Arida e Gustavo Franco também integravam a equipe que idealizou o plano que mudou o Brasil. O registro fotográfico é de 1995. O Plano Real já havia dado certo e caído no gosto da população. Foto: José Paulo Lacerda/Estadão Conteúdo – 10/03/1995
Membro da Academia Brasileira de Letras e economista, Edmar Bacha foi quem rabiscou o Plano Real em um papelzinho azul no apartamento de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda. Foto: Tasso Marcelo/Estadão Conteúdo – 28/8/1995
1994 é o ano zero do Plano Real, mas também está repleto de acontecimentos marcantes. Na foto, o capacete de Ayrton Senna repousa sobre o caixão que abriga o corpo do piloto, morto em um acidente automobilístico durante uma prova de Fórmula 1 na Itália. Foto: Luiz Prado/Estadão Conteúdo – 6/5/1994
Cortejo com o corpo do piloto Ayrton Senna parou as principais ruas de São Paulo. Foto: Milton Michida/Estadão Conteúdo – 4/5/1994
Mas 1994 é também o ano da conquista do tetracampeonato pela seleção brasileira de futebol. A vitória nos Estados Unidos, nos pênaltis, diante da Itália marcou o fim do jejum de títulos que já durava 24 anos. Desde 1970 o Brasil não vencia uma Copa do Mundo. Foto: Gábio M. Salles/Estadão Conteúdo – 17/07/1994
São Paulo também parou para receber os tetracampeões, que desfilaram em carro aberto. Foto: Nelson Almeida/Estadão Conteúdo – 29/07/1994
Para alguns, a consolidação definitiva das conquistas alcançadas com o Real veio apenas com a troca de poder. Fernando Henrique deixou a presidência e Lula assumiu. Ele manteria, em muitos aspectos, a política econômica dos anos de FHC. Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 11/9/2003
A entrevista foi concedida ao editor-chefe da Inteligência Financeira José Eduardo Costa.
E ao economista-chefe do Itaú Unibanco Mario Mesquita.
“Aí a gente viu que a gente tinha conseguido pelo menos até aquela hora domar a fera, mas o tempo todo a gente não sabia que a coisa ia dar certo”.
“Era um pouco salto no escuro mesmo”, complementou o economista.
Plano Real: quatro episódios no ar
A série ‘Plano Real: a moeda que mudou o Brasil’ tem ao todo sete episódios. Quatro deles já estão no ar e podem ser acessados a partir do site especial do projeto. Eles também estão disponíveis nas principais plataformas de áudio.
Confira abaixo a lista de episódios disponíveis.
Episódios
Título do episódio
Episódio 1
A concepção
Episódio 2
O Brasil antes do Real
Episódio 3
Um começo de ajustes
Episódio 4
Uma moeda antes da moeda
Assim, a Inteligência Financeira também preparou uma série de reportagens a respeito do Plano Real, que completa 30 anos em 2024. Assim como os episódios em áudio, as principais matérias podem ser acessadas na nossa página especial.
Mas para ajudar o leitor, selecionamos as principais reportagens abaixo