Bradesco vê luz no fim do túnel: taxa Selic deve cair em dezembro com sinal de recessão

Empresas citadas na reportagem:
Mesmo depois da alta dos juros em janeiro, o Bradesco afirma que a taxa Selic vai cair em 2025, uma luz no fim do túnel para arrefecer o aperto monetário iniciado pelo Banco Central em setembro. O banco prevê o encerramento do ciclo de elevação dos juros em dezembro. O motivo para que a autoridade monetária tire o pé do acelerador deve vir de uma queda do PIB em 2025. A análise é do Bradesco.
Na tarde desta quarta-feira (5), o banco rebaixou a estimativa do PIB do Brasil em 2025 de 2,2% para 1,9% ao ano. Por outro lado, a retração da economia brasileira deve levar o BC a paralisar a alta de juros em 15,25% ao ano e levar o Copom a reduzir a taxa Selic em 0,50 ponto percentual em dezembro.
Quando a taxa Selic vai cair em 2025, segundo o Bradesco
A queda do PIB deve levar o BC a baixar a Selic em 2025.
Esta é a expectativa do Bradesco ao revisar a taxa terminal do período para 2025. O banco espera um pico de ciclo da Selic a 15,25%, patamar que marca o fim da projeção do Copom ao mercado, e espera uma manutenção da taxa até o fim do ano.
Assim, o Bradesco diz que a Selic vai voltar a cair em dezembro de 2025, num corte de 0,50 ponto percentual.
A Selic vai baixar entre 2025 e 2026, e de forma gradual, até 11,25%, estima o Bradesco.
O novo panorama para juros na visão do banco é motivado pela queda na atividade econômica. “Vale notar que o arcabouço fiscal trouxe os gastos públicos de volta a níveis da pré-pandemia. Ao mesmo tempo, vemos um impulso fiscal menor em 2025”, aponta o Bradesco
“No entanto, o ritmo de consolidação fiscal é visto como insuficiente”, completa. “E sinais de desaceleração da economia se acumulam, nos dando uma visão recessiva da economia para o segundo semestre de 2025.”
Assim, o BC deve reconhecer o risco de recessão na economia do Brasil e paralisar a alta de juros. “O banco limitou cenários extremos para a Selic, delimitando a discussão de dominância fiscal.”
Mas o risco levaria o BC a fazer a Selic cair em dezembro, quando os modelos da autoridade monetária apontarem uma queda de inflação pela economia mais desaquecida.
Bradesco melhora projeção do PIB para 2026
O banco também revisou as estimativas para a economia brasileira para 2026. Apesar de apontar para outro ano de contração após 2026, a projeção melhorou aos olhos do Bradesco, na esteira de uma taxa Selic menor.
De acordo com o banco, o PIB deve contrair de 1,9% para 1,3% em 2026. Anteriormente, nesse sentido, era esperada uma contração ainda maior, de 2,2% para 1,0%.
“O efeito máximo da política monetária contracionista deve ser sentido em 2026”, informa o banco.
Por outro lado, a isenção de impostos proposta pelo pacote de contenção de despesas do governo federal, investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e mudança nas normas do empréstimo consignado devem apresentar impulsos na economia no ano da próxima eleição presidencial.
“Assim, estimamos um crescimento modesto de 1,3% no PIB. Mas os riscos para a alta de inflação neste ano e em 2026 permanecem um risco”, conclui.
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