Milei e a $LIBRA: entenda o caso da especulação com a criptomoeda e os riscos para investidores

Não é novidade que figuras públicas podem movimentar o mercado de criptomoedas. Elon Musk já fez isso com a Dogecoin e até Donald Trump viu tokens associados ao seu nome dispararem sem qualquer fundamento sólido.
O mais recente episódio envolve o presidente da Argentina, Javier Milei, que promoveu uma criptomoeda chamada $LIBRA. O resultado? Uma disparada no preço seguida de um tombo e um prejuízo para milhares de pessoas – um roteiro que se repete quando o hype fala mais alto do que a análise criteriosa.
Enquanto investidores que perderam dinheiro se revoltam nas redes sociais ou recorrem à justiça, Milei está sob investigação, e a oposição pediu seu impeachment.
A influência de nomes de peso e do efeito manada
Para Caio Villa, CIO da Uniera, esse tipo de movimento não segue uma regra fixa, mas pode gerar valorizações absurdas em pouco tempo. “Vimos isso no auge da memecoin $TRUMP, que chegou a valer US$ 13 bilhões antes de cair significativamente. Hoje, ela possui valor de mercado de US$ 3,4 bilhões. Mas, agora, essa capitalização toda não é mais uma regra”, afirma. No caso de Milei, o fator que potencializou o fenômeno foi a falsa impressão de que a moeda tinha relação com o governo argentino.
Israel Buzaym, diretor de comunicação e especialista cripto do Bitybank, destaca que esse tipo de alta, como da $LIBRA, é bem diferente de uma valorização sustentada por fundamentos. “Movimentos naturais vêm da adoção, de avanços tecnológicos e de regulações. Já os especulativos surgem após declarações públicas ou tendências de redes sociais, com picos de valorização seguidos de correções rápidas, sem mudanças concretas nos fundamentos da criptomoeda.”
Para Vinícius Bazan, CEO da Underblock, esse tipo de impacto pode se tornar menos frequente no futuro, justamente porque o mercado já começa a olhar para isso com mais desconfiança. “Não é algo super comum, mas também não é controlável. Depois do caso Trump e agora do Milei, já teve muita lambança e acho que vai haver um escrutínio maior daqui para frente”, comenta.
Como saber quando a alta é sustentada ou puro hype?
Villa, da Uniera, explica que a volatilidade extrema em períodos muito curtos é um sinal claro de que a valorização não se sustenta. “Pode multiplicar por 10, 20, 30 vezes o valor inicial, mas pode cair na mesma velocidade. O investidor acaba à mercê de um ativo que aparentemente não tem utilidade real.”
Já Bazan reforça que a falta de histórico e de dados concretos para análise são indícios de um movimento puramente especulativo. “O que vimos com a $LIBRA foi o lançamento de uma moeda pequena e desconhecida, promovida pelo presidente da Argentina. Quando algo assim aparece do nada, sem histórico, o mercado tende a reagir de forma exagerada. É mais um movimento de FOMO (Fear of Missing Out) do que algo baseado em fundamento.”
O que o investidor pode fazer para evitar cair em armadilhas, como a da $LIBRA?
A resposta é simples: estudar o mercado e gerenciar o risco. “A melhor maneira de se proteger é entender o que está comprando. Quem investe sem conhecimento está contando com a sorte – e essa não é a melhor forma de investir”, afirma Villa.
Buzaym, da Bitybank, sugere que investidores observem fatores como roadmap do projeto, concentração de tokens e volume de negociação antes de tomar uma decisão. “Evitar compras por hype e diversificar os ativos são estratégias básicas para minimizar riscos.”
Bazan complementa que, embora seja possível explorar oportunidades em ativos emergentes, é essencial ter um olhar crítico. “Não quer dizer que não valha a pena entrar em alguns projetos de hype, mas é preciso entender a sustentabilidade do movimento e gerenciar o risco. Não colocar muito capital em posições arriscadas e priorizar ativos mais consolidados, como o Bitcoin, são formas de se proteger.”
Milei e $LIBRA: nem toda alta significa oportunidade
O caso Milei com a criptomoeda $LIBRA reforça um ponto essencial para quem investe neste mercado: só porque algo disparou, não significa que seja um bom investimento.
Diferenciar o hype de uma valorização consistente exige análise e cautela. Afinal, no mundo cripto, nem tudo que brilha é ouro – e o que sobe rápido demais pode cair na mesma velocidade.
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