Fabiano Rios, da Absolute, vê bolsa americana cara e dólar perdendo força no mundo

Gestor de R$ 52 bilhões gerou assunto entre pares e analistas ao afirmar que os preços do S&P 500 estão fora do lugar

Nos últimos três anos, Fabiano Rios ganhou muito dinheiro com a tese do crescimento do S&P 500, o principal índice da maior bolsa dos Estados Unidos. A aposta ajudou a Absolute, a asset que ele fundou, a se descolar do cenário difícil das gestoras e ganhar mercado. Então, em apenas seis meses, a casa saiu de um patrimônio administrado de R$ 38 bilhões para R$ 52 bilhões.

Rios gerou assunto entre pares e analistas ao afirmar, na CEO Conference do BTG, na terça-feira (25), que os preços do S&P 500 estão fora do lugar   

Mas, agora, os ventos mudaram. Num momento em que o sell side ainda recomenda a alocação em renda variável norte-americana, Rios diz que os riscos subiram. Para ele, os preços do S&P estão fora do lugar. O cenário macroeconômico com Donald Trump é outro. E até o dólar pode sofrer uma forte correção.

Nesse sentido, a tese central para essa crença passa pela mudança na condução fiscal dos Estados Unidos com Donald Trump. Depois de uma era pós-pandemia com escalada de gastos públicos, o novo governo dá sinais de que deve encarar o problema das despesas primárias. O mandato de Elon Musk, em uma secretaria de eficiência, é um sinal disso. Para ele, um freio nos gastos é incondizente com o ritmo de crescimento da economia. Bem como do lucro das empresas americanas.

“A gente ganhou bastante dinheiro com posições compradas em bolsa, notadamente a bolsa americana”, disse ele, durante evento organizado pelo BTG nesta terça-feira (25). “Agora, eu vejo preços muito diferentes daquela época”, afirmou.

‘Desmontagem de S&P 500’

Ao lado de outros gestores, como Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, e Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, ele confessou que era a primeira vez que falava publicamente sobre a tese de desmontagem de S&P.

“O S&P está com múltiplos muito mais altos (hoje em dia). Ou seja, (a bolsa americana está com) uma margem de segurança menor (hoje em dia)”, destacou.

“Eu confesso que tenho algum receio com relação a se a gente não pode ter uma correção um pouco maior aí nos próximos meses. Há ver ainda qual vai ser o tamanho dessa correção”, destacou.

Dólar mais fraco?

Para o dólar, os riscos apontados por Fabiano Rios são similares. Com um acréscimo. Um cenário global que pode levar a uma queda no diferencial de juros entre os Estados Unidos e o dólar.

“Assim, dado o nível do dólar, eu acho que existe uma possibilidade você ter uma correção. Acho que a gente pode ter, tranquilamente, o dólar caindo 10% e o euro voltando (se valorizando) um pouco”, diz.

Para Rios, o dólar “se valorizou absurdamente”. “Acho que se a gente pegar, por exemplo, o dólar contra o dólar australiano, para não falar contra o real, a divisa australiana se desvalorizou mais de 10% de setembro para cá. Nós estamos falando de uma moeda de país desenvolvido e de um cenário que já vinha há dez, 14 anos, de dólar forte. Então, eu não questiono esse excepcionalismo americano. Os EUA têm vantagens competitivas enormes. Eu questiono o preço dos ativos”, diz.

Ao ouvir a novidade, Carlos Woelz, da Kapitalo, demonstrou surpresa. Mas o gestor com um portfólio de R$ 23,7 bilhões não se mostrou contrário ao cenário de Rios. Ele, por sinal, confessou que neste momento mantém uma posição em derivativos que se favorecem com a queda do S&P 500.

“Eu estou vendido também. Mas é muito pequeno (o investimento na queda da S&P)”, disse.

Para Carlos Woelz, o momento é difícil para uma alocação maior.

“Eu tenho menos confiança sobre os objetivos e o caminho (do novo governo de Trump), tenho muita dificuldade para construir esse cenário”, destacou.

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