Aumento no preço dos alimentos afeta as ações de empresas do setor? Veja análise de especialistas

Sim, para o bem e para o mal. Veja recomendação de papéis para ter em carteira, e outros nem tanto

Empresas citadas na reportagem:

A divulgação do IPCA de janeiro mostrou que o preço dos alimentos aumentou 1,07%, puxado pela cenoura (36,14%), tomate (20,27%) e café moído (8,56%). Além do impacto no bolso do consumidor, será que as empresas alimentícias de capital aberto também sofrem com esse aumento? De acordo com Paulo Henrique Duarte, economista da Valor Investimentos, e Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, esse aumento respinga, sim, nas empresas do setor que estão listadas na bolsa.

“Primeiramente, o aumento de preços das matérias-primas, como cenoura e tomate, pressiona os custos de produção das empresas. Quando esses insumos aumentam, as companhias enfrentam a dificuldade de repassar os custos para o consumidor final sem afetar a demanda. Caso optem por não repassar o aumento total, as margens podem ficar comprimidas, afetando negativamente a rentabilidade dos papéis”, explica Régis Chinchila.

IPCA janeiro de 2025 mostra uma possível queda nas vendas

Além disso, o aumento no preço dos alimentos pode reduzir o poder de compra do consumidor. O que gera, então, um efeito de retração no consumo, principalmente de produtos não essenciais ou mais caros.

“Adicionalmente a isso, diminui-se o volume de vendas. O impacto é direto no faturamento, tanto nas empresas do varejo alimentício, supermercados, quanto nas produtoras, principalmente se a gente pensar nas empresas de proteína animal”, comenta Paulo Henrique Duarte.

Afinal de contas, as famílias podem priorizar itens básicos, o que afeta a demanda por produtos premium ou mais sofisticados oferecidos pelas empresas de alimentação.

“Dessa forma, as empresas listadas na bolsa dependem muito de sua capacidade de ajustar preços, diversificar mercados e gerenciar custos”, pondera Chinchila.

Com a inflação dos alimentos, em quais ações investir?

Diante disso, ou seja, com o cenário de alta do IPCA de janeiro de 2025, vale a pena investir em empresas com forte geração de caixa e capacidade de expansão no mercado externo.

Para Régis Chinchila, da Terra Investimentos, a JBS (JBSS3) é uma ótima opção para investir nesse momento. Isso porque, a companhia tem exposição ao mercado internacional, beneficiando-se da alta das exportações. “O que pode gerar benefícios a longo prazo, oferecendo um certo amortecimento contra os impactos da inflação doméstica”, esclarece Chinchila.

Para o especialista, empresas com diversificação em suas operações, como é o caso da JBS (JBSS3), têm mais flexibilidade para navegar em um ambiente inflacionário. Afinal de contas, essas empresas conseguem compensar as pressões do consumo interno com a ampliação de suas operações internacionais.

“Embora a pressão sobre as margens seja um fator de risco, a resiliência dessas empresas frente ao cenário de inflação, aliado à forte geração de caixa, faz delas opções atrativas para os investidores no contexto atual”, afirma o analista da Terra Investimentos.

E quais empresas não investir?

De acordo com Chinchila, neste momento existem algumas empresas que até podem ficar no radar do investidor, mas é melhor aguardar um pouco mais. Ou seja, são ações que podem não render como o investidor espera neste momento.

São elas: Camil (CAML3), BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3). O motivo? “O aumento nos custos de produção dificulta o repasse para o consumidor final”, justifica.

Isso significa que essas empresas estão enfrentando aumentos nos custos de produção, e isso pode demorar um pouco mais para ser diluído no preço das ações. No setor alimentício, por exemplo, pode haver um aumento nos preços das matérias-primas (como grãos, carnes, embalagens etc) ou custos operacionais (energia, transporte, mão de obra). “E aí, quando os gastos aumentam e as empresas não conseguem repassar esse aumento para o consumidor, sua margem de lucro diminui”, esclarece o analista da Terra Investimentos.

Além disso, o especialista conta que é preciso ter um olhar mais atento para essas empresas, e não apenas para os custos de produção. “A gente também segue comparativos setoriais, indicadores de múltiplos (avaliação do valor das companhias em relação às outras) e precificação de mercado”, conclui.

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