‘Trump trade’: confira setores que podem ser beneficiados – e prejudicados – no comando do republicano

Segundo analistas de mercado, pelo menos 4 setores devem se beneficiar; mas modelo de taxação vai pesar em vários segmentos

Analistas internacionais cunharam um novo termo: o “Trump trade”. Ele nada mais é do que colocar expectativas de como deverá ser o governo de Donald Trump na precificação das ações. O que se espera desse “fator Trump”, porém, ainda é uma incógnita.

“Existem muitas dúvidas de como seria um governo do Donald Trump. Se ele seguir muito do que tem falado nos últimos anos, será uma estratégia mais protecionista, fechando mais o mercado americano, focando mais em consumo interno e tributando exportações”, avalia Thiago Guedes, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Bridgewise no Brasil.

De acordo com Guedes, isso e o Trump trade fazem com que o dólar fique mais forte frente ao real e a outras moedas. “O Brasil é um país exportador, então a gente pode ter algumas empresas agropecuárias como oportunidades. Podemos ter nossos frigoríficos exportando para fora do Brasil, para outros países que não sejam dos Estados Unidos. E, com a nossa moeda desvalorizada, a gente acaba sendo mais competitivo em exportação”, salienta ele.

Inflação nos EUA e ‘Trump trade’

Enzo Pacheco, analista de mercados internacionais da Empiricus Research, pontua que, “esse movimento do mercado já vem acontecendo”.

“Não é só o ‘Trump trade’. Há também essa questão relacionada ao afrouxamento monetário nos Estados Unidos”, afirma Pacheco.

“A gente já começou a ver uma rotação dos investidores, saindo dos papéis de tecnologia para aquelas empresas que estavam mais para trás. Eram empresas de setores mais tradicionais, por exemplo, do setor financeiro, de petróleo e gás e até mesmo as empresas de defesa. Elas já estavam se beneficiando desse movimento de possibilidade de corte de juros por parte do Fed, começando em setembro”, destaca o especialista da Empiricus.

Diante desse cenário, os analistas indicam alguns setores que podem se beneficiar com a segunda era Trump. E outros que devem sair derrotados. Confira abaixo:

Setores que podem ser beneficiados com Trump

De acordo com Enzo Pacheco, da Empiricus Research, há setores que podem ser “altamente” beneficiados com uma possível vitória de Donald Trump nas eleições americanas. Confira a análise do especialista em mercados internacionais.

Bancos

“O governo dos republicanos é tido como um governo com menos intervenção na economia. No geral, você ter menos regulação facilitaria, por exemplo, a vida do setor financeiro. Nesse sentido, reduzir a necessidade de capital para os bancos manterem suas operações beneficiaria as ações dessas empresas. Isso porque os bancos não teriam que colocar mais dinheiro no negócio. Então, poderia talvez aumentar inclusive o pagamento de proventos, de dividendos, de recompra da ação.”

Criptomoedas

“Dentro do financeiro, é importante também comentar a parte de cripto porque o Trump já se posicionou algumas vezes favorável às moedas digitais. Não era assim no passado, mas ele viu que poderia angariar alguns votos com uma visão positiva em relação a esse segmento.”

Energia e defesa

“Trump deixa claro que vai estimular a exploração e a produção de petróleo nos Estados Unidos. E isso pesa na conta do ‘Trump trade’. Ele acha que isso é uma política extremamente necessária, inclusive para reduzir a inflação no país. Então, essas empresas também vão se beneficiar bastante. A defesa é outro setor que também deve se beneficiar com com uma possível vitória do Trump.”

Saúde

“Outro setor que pode se beneficiar também com novo governo de Trump é o de saúde. De novo relacionado a essa questão de menos regulação, de você tentar fazer com que as empresas privadas ofereçam mais serviços de saúde por meio do Medcare.”

Lado negativo

Alguns setores já estão sofrendo no ‘Trump trade’.

“Do lado negativo, você pode pensar também em algumas empresas industriais, mas não americanas. Isso porque o Trump já falou que é favorável a tarifas de 10% para empresas de todo o mundo e de 60% que venham de produtos da China. Então, as empresas que dependem de componentes vindos da China podem sofrer muito, até mesmo as que vendem seus produtos passando pela região podem sofrer.

As empresas que tiverem relacionadas a essa parte de energia renovável também vão sofrer. Trump quer tirar todos aqueles créditos, o que vai ao encontro do estímulo para combustíveis fósseis, como já citado, na parte de energia.

E até mesmo as grandes empresas de tecnologia. A gente tem que ficar com o olho aberto. Vamos lembrar que o vice de Trump, J.D. Vance, já foi favorável à quebra de algumas dessas empresas de tecnologia. Assim, a gente pode ter também algum burburinho nesse sentido.”

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