Fundos de renda fixa têm captação positiva em janeiro, mas cotas ficam abaixo do CDI

Após saque de R$ 61 bilhões em dezembro, fundos de renda fixa têm entrada de R$ 5 bi em janeiro

Fundos de renda fixa se recuperam de saque de R$ 61 bi em dezembro. Foto: Brendan McDermid/Reuters
Fundos de renda fixa se recuperam de saque de R$ 61 bi em dezembro. Foto: Brendan McDermid/Reuters

Os fundos de renda fixa brasileiros registraram captação positiva em janeiro registrarem saques de R$ 61 bilhões em dezembro, afirma o Bradesco BBI. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (13), o banco aponta fluxo de entrada líquida de recursos na categoria no mês passado, sem considerar os fundos soberanos. O valor chega a R$ 5 bilhões. O saldo positivo veio principalmente de fundos de renda fixa simples, com exposição mínima de 95% a títulos de dívida do governo federal.

O desempenho médio das cotas, contudo, ficou abaixo do retorno acumulado do CDI para o mês de janeiro. As cotas dos fundos de renda fixa devolveram retorno de 0,94% contra 1,01% do indexador que acompanha a taxa Selic. Segundo o Bradesco, o fechamento da curva de juros e, portanto, a marcação a mercado, contribuiu para o desempenho abaixo do esperado, assim como a baixa nos spreads de crédito.

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Fundos de renda fixa ficam abaixo do CDI pelo 5º mês seguido

O desempenho médio das cotas dos fundos de renda fixa ficou abaixo do CDI pelo quinto mês seguido considerando janeiro, diz o Bradesco BBI. Apesar da sequência negativa, o ativo foi um dos grandes destaques de 2024, segundo dados da Anbima.

Assim, as cotas dos fundos de renda fixa foram penalizadas, segundo o banco de investimentos, pela marcação a mercado. Isso porque as taxas de títulos prefixados e atrelados ao juro real (IPCA+) sofreram queda em janeiro diante de um reajuste na expectativa do mercado financeiro sobre o futuro da Selic.

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O Bradesco BBI explica que fundos com exposição maior em debêntures, com mais de 10% da carteira alocada em títulos de dívida de empresas, sofreu menos com a marcação.

O rendimento médio da cota dos fundos multimercado foi igual em janeiro, de 0,94% contra 1,01% do CDI.

Mas a classe sofreu R$ 32 bilhões de saques, começando o ano com pé esquerdo.

Para onde foi o dinheiro em dezembro? Bradesco BBI responde

O dinheiro que deixou os fundos de renda fixa em dezembro foi para três títulos de crédito corporativo fora do universo de debêntures.

O Bradesco BBI acredita que os R$ 61 bilhões sacados foram para títulos bancários, principalmente LCI, LCA e CDB.

Ao contrário do alívio sentido pelo mercado financeiro no início de 2025, o estresse do dólar em dezembro e o aumento de taxas de títulos prefixados fez com que houvesse saque generalizado dos fundos de renda fixa.

A maior sangria ocorreu entre fundos de investimento, que sacaram R$ 9,5 bilhões em dezembro. O varejo tradicional resgatou R$ 7,5 bilhões, seguido pelo varejo de alta renda, com R$ 7,1 bi.

O chamado middle market, de clientes de média renda, sacou R$ 5,1 bilhões. Somente o setor de private banking registrou estabilidade entre retirada e entrada líquida de investimentos em fundos de renda fixa, aponta o BBI.

Para 2025, o Bradesco BBI acredita que o ciclo de aperto monetário “deve favorecer o fluxo de recursos” para os fundos. Isso inclui as categorias de crédito privado e títulos bancários.

O retorno nominal continuará elevado com a alta da Selic. Além disso, o BBI cita o “perfil defensivo” dos ativos “em um ambiente onde investidores possuem maior aversão a risco”. Ou seja, fundos de renda fixa devem continuar no cardápio dos investidores neste ano.

A Inteligência Financeira é um canal jornalístico e este conteúdo não deve ser interpretado como uma recomendação de compra ou venda de investimentos. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, seus objetivos e mantenha-se sempre bem informado.


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