Ficou mais fácil encontrar investimentos que rendem 1% ao mês. Mas você topa os riscos?

Com a Selic a 13,25% ao ano, muitos investidores estão de olho em investimentos com rentabilidade de 1% ao mês ou, se possível, até mais. Mas será mesmo que está mais fácil encontrar ativos que deem retorno nesse nível?
Sim, está mais fácil. Porém, existe um porém nessa história. Isso porque essa ideia de investimentos com rentabilidade de 1% ao mês ou mais acontece quando olhamos pro retorno bruto.
“Quando se considera tributação, liquidez e risco, atingir 1% líquido ao mês não deixa de ser um desafio”, pontua Yasmin Orozimbo, analista da Empiricus Gestão.
Imposto é o vilão dos investimentos com rentabilidade de 1% ao mês
Ainda de acordo com a especialista, a ideia de que ficou fácil encontrar esse retorno vem do efeito dos juros altos sobre investimentos atrelados ao CDI, como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e títulos do Tesouro.
No caso dos CDBs, os que pagam acima de 100% do CDI podem se aproximar desse patamar de retorno financeiro a 1% ao mês – ou até mais.
“Bancos médios e pequenos costumam oferecer taxas mais altas. E em um cenário de juros elevados, esses produtos podem entregar um rendimento nominal próximo de 1% ao mês. No entanto, alguns pontos precisam ser analisados. A tributação pesa, já que produtos como CDBs sofrem incidência de Imposto de Renda, reduzindo o rendimento líquido”, argumenta.
Outro ponto importante a ser considerado: o risco que bancos menores podem oferecer. Não existe almoço grátis. Para um banco de menor porte lançar no mercado CDBs que se destacam em rentabilidade, é porque o risco desse banco também é maior. Fique atento e considere isso na sua escolha.
Sem imposto, mas com riscos
Alternativas isentas de IR, como Letras de Crédito Imobiliários (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), podem ser mais vantajosas, mas nem sempre estão disponíveis nas melhores condições de taxas e liquidez.
“Com juros altos, algumas ofertas atingem esse nível de investimentos com rentabilidade de 1% ao mês, mas a disponibilidade e as condições variam entre as instituições”, diz a especialista.
Desse modo, taxas mais altas podem estar atreladas a investimentos com restrições de resgate. E aí, caso você, investidora e investidor, precise do dinheiro antes do vencimento, pode acabar comprometendo parte da rentabilidade ou até sofrer prejuízo.
“Já as debêntures incentivadas seguem a mesma lógica. Como não sofrem tributação para investidores pessoas físicas, podem ter retornos mais elevados. Mas, por outro lado, envolvem risco de crédito da empresa emissora, o que exige uma análise”, afirma Yasmin.
Onde investir para ter rentabilidade de 1% ao mês?
Alguns fundos de renda fixa também são uma opção. Segundo a analista da Empiricus Gestão, um bom exemplo são os fundos de crédito privado, que investem em debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), buscando prêmios acima do CDI.
“Além desse, também temos os fundos high yield, que focam em ativos de maior risco, com potencial de retorno mais elevado. Há também fundos que operam com estratégias mais dinâmicas, aproveitando oscilações da curva de juros para capturar ganhos adicionais. A performance final dependerá da gestão, da composição dos ativos e dos custos envolvidos”, ensina.
Olhe para o longo prazo
Aliás, a busca por investimentos com rentabilidade de 1% ao mês ou mais pode ser mais assertiva ao selecionar aqueles de longo prazo. “Isso por conta dos juros compostos, que acelera o crescimento do patrimônio conforme os rendimentos são reinvestidos”, explica Yasmin.
Na renda fixa, investimentos de prazos mais longos podem oferecer prêmios melhores e, em alguns casos, é possível se beneficiar da tabela regressiva do Imposto de Renda, que reduz a alíquota conforme o tempo de aplicação. “O horizonte de investimento, claro, deve estar alinhado aos objetivos financeiros do investidor, garantindo que a estratégia adotada faça sentido”, afirma a analista.
Outro ponto que vale considerar é um ponto importante levantado por Fabio Gallo, professor da Escola de Administração de Empresas – FGV e colunista da Inteligência Financeira. Afinal, será que rentabilidade de 1% ao mês deve ser seu objetivo? A ver.
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