Marcação a mercado pode acontecer com a desaceleração do IPCA de janeiro? Entenda

A desaceleração do IPCA em janeiro, divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (11), pode provocar marcação a mercado em títulos de renda fixa privada atrelados à inflação, como CRI, CRA, LCI, LCA ou debêntures incentivadas. Gestores avaliam que o mais recente dado do índice de preços ao consumidor brasileiro reforça a cautela diante da política monetária do Banco Central.
Se o BC aumentar demais os juros, o risco de crédito dos títulos IPCA, inclusive, aumenta porque dificulta a capacidade das empresas de pagar dívidas emitidas à mercado, assim como dificulta novas emissões. Na visão dos especialistas, a parcela prefixada dos títulos IPCA+ deve sofrer queda na ponta mais curta, beneficiando inclusive quem já investiu neste ano.
Inflação mais baixa pode provocar marcação a mercado
A inflação de janeiro desacelerou em relação a dezembro, com o menor resultado para o mês desde a criação do Plano Real.
Assim, o IPCA variou 0,16% no mês passado contra 0,52% observado em dezembro, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para os títulos de renda fixa atrelados à inflação, a desaceleração pode levar a uma marcação a mercado dos títulos de curto prazo, afirma Flávio Aragrão, diretor de crédito da gestora 051 Capital.
O gestor menciona os spreads comprimidos de crédito atualmente no mercado, ou seja, a baixa taxa de prêmio em relação aos títulos do Tesouro IPCA+. Hoje, as notas de renda fixa pública pagam entre 7,60% a 7,80%.
A alta demanda por títulos incentivados entre 2023 e 2024 levou à queda dos spreads, diz Aragão. “Criou uma espécie de movimento de bolha. Nesse sentido, o IPCA de hoje não provoca alteração nesses spreads, mas pode provocar uma marcação a mercado de CRI, CRA, debêntures e outros títulos isentos”, continua.
Entenda o que é marcação a mercado |
O termo é usado para indicar que um ativo pode sofrer reajuste de preços. E que pode ser diário. Por meio dele, o investidor sabe quanto ganharia caso decidisse se desfazer de seu investimento na data presente. Ou seja, o interessado consegue descobrir o valor atual do seu investimento. E não o valor na data marcada inicialmente para resgatar a quantia investida. Quer saber mais? Clique aqui. |
E de onde deve vir essa marcação? O mercado entende que o Banco Central talvez não eleve tanto os juros em 2025. “Perde um pouco na força e na necessidade de ter juros reais maiores”, argumenta o gestor.
DI futuro apresentou queda após IPCA
Não à toa, as taxas de juros futuros, representadas pelo DI futuro, registram queda em toda a curva nesta terça-feira (11). Há um mês, a taxa do Tesouro Prefixado com prazo de 5 anos era de 15,73%. Em 31 de janeiro, recuou para 14,80%.
Neste sentido, Aragão diz que o efeito deve ser sentido para quem apostou recentemente em títulos com prazos de vencimento mais curtos, porque a marcação rende lucro se o investidor vender o título no mercado secundário.
Mas o efeito de marcação a mercado não ocorreu, por enquanto. Isso porque o mercado recebeu de forma positiva o IPCA de janeiro e os juros nominais estão em baixa nesta terça-feira (11). Não houve alteração em taxas de juros reais por enquanto, afirma Ricardo Espindola, gestor de crédito da Porto Asset.
“Nada muito relevante”, comenta o gestor.
Renda fixa privada: onde investir com o IPCA mais baixo?
Gestores se dividem sobre onde investir com a desaceleração da inflação registrada em janeiro. E quais tipos de títulos de crédito devem se manter aquecidos.
Para Espindola, títulos de crédito de high grade, como por exemplo CRI, CRA, LCI, LCA ou debêntures de infraestrutura de grandes empresas com melhores notas de risco de crédito, devem continuar com demanda alta e concentrada.
Além disso, ele explica que o retorno desses ativos, apesar do spread neutro, continua com benefício fiscal bastante alto. “Porque o nível de juros está muito alto”, completa.
“Ativo high grade deve continuar demandado, mas é um cenário mais adverso por causa dos fundamentos mais desafiadores na macroeconomia”, diz Espindola.
Investimento passa por escolher ativos mais seguros
Mas ativos com taxas prefixadas maiores, chamados de high yield, chamam a atenção pelo ganho de spread sobre o Tesouro IPCA+. É a avaliação de Flávio Aragão. Hoje, a postura da 051 Capital é investir em títulos de renda fixa privada com ganho de 6% a 7% sobre a NTN-B, desde que ofereçam garantias reais.
Isso significa investir em títulos cuja garantia em caso de inadimplência são terrenos ou ativos não ligados à operação de emissão.
“O mercado está muito mal precificado”, explica o gestor. “Empresas grandes e reconhecidas estão pagando pouco, enquanto empresas de qualidade, mas que precisam se financiar, pagam mais caro.”
Nesse sentido, ele recomenda o investimento em títulos atrelados ao IPCA+ via fundos de investimento.
Leia a seguir