Tesouro Selic 2028 e 2031: entenda tudo sobre os novos títulos do Tesouro Direto antes de escolher
O Tesouro Nacional anunciou no início de fevereiro a inclusão de novos títulos ao portfólio do Tesouro Direto. Entre as novidades, estão o Tesouro Selic 2028 e 2031, além do alongamento dos prazos do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+. As mudanças trazem novas possibilidades para os investidores, mas também levantam dúvidas sobre qual opção escolher e como a marcação a mercado pode influenciar os retornos.
Tesouro Selic 2028 ou 2031: qual a melhor escolha?
A principal diferença entre os dois novos títulos está no prazo de vencimento. O Tesouro Selic 2028 é mais indicado para quem busca um investimento de médio prazo e deseja menor exposição às oscilações de mercado. Já o Tesouro Selic 2031 pode ser mais vantajoso para quem tem objetivos de longo prazo e pretende manter o título até o vencimento.
Além disso, Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos, destaca que optar por um prazo maior pode trazer benefícios fiscais. “Se o investidor ficar na dúvida, pode escolher o Tesouro Selic mais longo para se beneficiar da menor tributação ao longo do tempo.”
Outro ponto a ser considerado é o risco da marcação a mercado. Especialmente no curto prazo.
“O Tesouro Selic 2028 tem menor risco de marcação a mercado, sendo ideal para reserva de emergência e objetivos de curto prazo. Já o Tesouro Selic 2031 pode oferecer maior rentabilidade ao longo do tempo, mas está sujeito a oscilações se o investidor precisar resgatar antes do vencimento”, explica Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.
O que muda no Tesouro prefixado?
Além das novas opções de Tesouro Selic, o governo também alongou os prazos do Tesouro Prefixado, agora com vencimentos para 2028 e 2032. No entanto, com a Selic em patamar elevado, esses títulos podem não ser a melhor opção para todos os perfis de investidores.
Com a tendência de alta dos juros, novos títulos podem ser emitidos com taxas mais atrativas. Nesse cenário, os prefixados adquiridos anteriormente tendem a desvalorizar no mercado secundário, impactando negativamente quem deseja vendê-los antes do vencimento. Ou seja, se há dúvidas sobre manter o investimento até o final, os prefixados podem representar risco maior.
Previsões para a taxa Selic |
O próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre em março. O encontro deve ratificar a promessa do Banco Central de aumentar em mais um ponto percentual a taxa básica de juros do País. A Selic hoje está em 13,25% ao ano. A expectativa do mercado gira em torno de que a taxa supere o patamar de 15% ao ano em 2025. |
Por outro lado, para quem busca previsibilidade e pretende carregar o investimento até o vencimento, esses títulos têm espaço na carteira. “Eles podem ser interessantes para diversificação e para objetivos com prazos bem definidos, como a compra de um imóvel ou uma viagem planejada para daqui a alguns anos”, acrescenta o especialista.
Por que os vencimentos do Tesouro mudam?
Assim, a inclusão de novos prazos no Tesouro Direto, como o Tesouro Selic 2028 e 2031, faz parte da estratégia do governo para gerenciar sua dívida pública. A renovação acontece periodicamente para ajustar a oferta conforme as condições do mercado.
Os vencimentos mudam porque há títulos antigos que estão vencendo e a dívida precisa ser refinanciada. Além disso, o governo ajusta a oferta de prazos como estratégia de financiamento e de acordo com a demanda dos investidores.
E o que acontece com os títulos já comprados? Nada muda.
Quem investiu em títulos que foram retirados da vitrine pode mantê-los e resgatá-los normalmente, seja no vencimento ou antes, pelo valor de mercado.
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