Novos títulos do Tesouro Direto: saiba o que mudou e como isso impacta seu portfólio

Títulos mais antigos seguem disponíveis para resgate antecipado, sendo precificados pela marcação a mercado

O Tesouro Direto revisou neste mês seus títulos. Assim, alguns deles não estão mais disponíveis e outros surgiram no lugar, o que pode surpreender quem está investindo regularmente. A seguir, conheça os novos títulos do Tesouro Direto e saiba o que mudou.

Como os novos títulos do Tesouro Direto impactam os investidores?

O alongamento dos vencimentos dos títulos no Tesouro Direto não é uma surpresa e ocorre anualmente. Os mais antigos seguem disponíveis para resgate antecipado, sendo precificados pela marcação a mercado. É o caso do IPCA+ e dos títulos Prefixados. Ou seja, sua rentabilidade continuará variando conforme as condições do mercado. 

De acordo com os especialistas, a recomendação é ajustar os novos aportes aos vencimentos disponíveis a partir deste mês, sempre alinhando os seus objetivos financeiros e horizonte de investimento.

“Nesse novo rol de ativos, prefiro os mais curtos e levar até o vencimento. E o fator principal a se atentar é a liquidez. Por mais que a taxa pareça boa, se eventualmente o investidor entrar para sair antecipado, daqui a dois anos, pode ser que não tenha uma condição tão fidedigna ao que está sendo negociado, por exemplo, em relação aos ativos que estão há rês anos em negociação”, afirma Nicolas Gass, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

Gass pontua que, “se der algum estresse, principalmente na questão fiscal ou eventualmente Donald Trump colocando taxações acima do esperado, a tendência é que os prefixados subam bastante”. “E quem está garantindo um prefixado agora vai estar exposto a um risco maior do que eventualmente comparado a um ativo IPCA+ ou pós-fixado”, alerta o especialista,

Rol de títulos

O rol de títulos é a lista das opções disponíveis para negociação no Tesouro Direto, ou seja, os títulos que você pode comprar em determinado momento.

A revisão desse rol ocorre anualmente, quando novos títulos podem ser incluídos e outros excluídos da lista de disponíveis para compra. Essas alterações seguem regras que garantem a variedade de títulos do Tesouro Direto e mantêm prazos de referência semelhantes ao longo do tempo.

Quais são os novos títulos do Tesouro Direto? 

O governo anunciou novos títulos no Tesouro Direto com vencimentos mais longos, permitindo planejamento financeiro de longo prazo. Confira abaixo as principais novidades:

Tesouro Selic

A partir deste mês, o investidor não consegue investir no Tesouro Selic 2027 nem no Tesouro Selic 2029, por exemplo. O Tesouro Selic 2028 e o Tesouro Selic 2031 ocupam agora o lugar deles.

Os títulos do Tesouro Selic com até três anos de vencimento ganham revisão anual. Já aqueles com vencimento acima de três anos e até seis anos são revistos a cada dois anos.

Tesouro IPCA+

Também houve mudanças entre os títulos IPCA+ sem juros semestrais com vencimentos em 2035 e 2045. No lugar deles, entram o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050, respectivamente.

Como os títulos do Tesouro IPCA+ são de médio e longo prazo, a regra é diferente. Aqueles com vencimento até seis anos ganham revisão a cada três anos. Para títulos acima de seis anos, as revisões ocorrem a cada cinco anos.

Tesouro IPCA+ com juros semestrais

Os títulos IPCA+ com juros semestrais com vencimentos em 2040 e 2055 deram lugar ao 2045 e ao 2060, respectivamente. 

Os títulos Tesouro IPCA+ com juros semestrais com vencimento em até 10 anos ganham revisão a cada dois anos. Já os títulos com vencimento acima de 10 anos têm revisão a cada cinco anos.

Tesouro Prefixado

Os títulos Prefixados 2027 e 2031 foram alongados para Prefixados 2028 e 2032.  

Os títulos do Tesouro Prefixado com vencimento em até três anos têm revisão anual, possibilitando a qualquer investidor aproveitar a alíquota mínima de Imposto de Renda no seu investimento.

Para os títulos com vencimento acima de três anos e até seis anos, a revisão ocorre de dois em dois anos (bianual). O Tesouro busca o alinhamento entre os títulos ofertados nas ofertas públicas (leilões) e o Programa Tesouro Direto. Por conta disso, a LTN de seis anos foi rolada esse ano, mesmo tendo apenas um ano da oferta da 2031.

Tesouro Prefixado com juros semestrais

Para os títulos do Tesouro Prefixado com juros semestrais a regra é a mesma daqueles com até seis anos de vencimento, com revisões a cada dois anos. Assim, sempre haverá um título prefixado com vencimento próximo de 10 anos para você comprar.

Tesouro Educa+

O Tesouro Educa+, criado para incentivar as famílias a poupar para custear os estudos dos filhos, ganhou um novo vencimento para 2043.

Anualmente um novo título do Educa+ surge, com prazo de início de pagamentos em 18 anos e prazo final em 23 anos.

Tesouro RendA+

Em 2030, quando o título mais curto hoje disponível começará a pagar amortizações e sairá da prateleira, um novo título ganhará espaço com prazo de acumulação de 40 anos. A partir de então, a cada cinco anos, um novo título com prazo de acumulação de 40 anos será lançado.

O que acontece com os títulos que não estão mais sendo negociados?

Por fim, é importante ressaltar que os títulos que não estão mais sendo negociados não podem ter novos aportes. Porém, o resgate deles pode ocorrer a qualquer momento ou permanecer na carteira de investimentos até o vencimento, entregando o valor e rendimento contratados no momento da compra.

A Secretaria do Tesouro Nacional pode fazer alterações e adaptações nas diretrizes. Então, a recomendação é ficar sempre atento à mudança do rol de títulos para garantir que seus investimentos façam sentido para o seu planejamento e seus objetivos.

Leia a seguir