Retorno acima do CDI: como superar o benchmark investindo em ações?

Empresas citadas na reportagem:
Com a Selic em alta, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) também segue o mesmo padrão. Assim, o desafio para os amantes da renda variável é conseguir superar o índice investindo em ações. Ou seja, ter um rendimento acima do CDI.
Bem, de antemão, saiba que é possível sim conseguir bater essa meta. Mas é preciso estudar e conhecer o mercado de ações. “Saber sobre análise fundamentalista das ações, valuation, entender qual é o negócio da empresa, como ela opera, como ganha dinheiro e se é lucrativa é o primeiro passo”, afirma Inácio Alves, analista da Melver.
Rendimento acima do CDI com ações: de olho no cenário
Então, para que seja possível superar o índice investindo em ações, é preciso:
- Identificar os ciclos de vida de cada companhia;
- Acompanhar o nível de rentabilidade atual do modelo de negócios da empresa;
- Observar o nível do preço pago na ação da companhia;
- Verificar se a companhia é capaz de gerar caixa ao acionista de forma consistente, mesmo considerando o atual cenário da economia, marcado pelo comportamento de variáveis como juros, câmbio, inflação e políticas comerciais e regulatórias no âmbito nacional e global.
“Caso o investidor seja capaz de selecionar ações que estejam alinhadas ao cenário da economia, conforme mencionado acima, e avaliar o preço pago na aquisição, é possível conseguir um rendimento acima do CDI”, diz Ângelo Belitardo Neto, analista da Hike Capital.
Passo a passo para superar o CDI investindo em ações
E para te ajudar nesses pontos, é importante buscar por materiais ou plataformas de investimento que analisam as empresas e seus indicadores. Assim como realizam projeções de curto e médio prazos para as companhias que estão no seu radar de investimentos.
Feito isso, o próximo passo é partir para a prática. De que maneira? Veja, a seguir, o passo a passo que Ângelo Belitardo Neto mostra para que você consiga ter uma rentabilidade com ações acima do CDI.
1. Evite comprar ações de empresas intensivas em capital
Isso enquanto não houver sinais de que as taxas de juros nos Estados Unidos e/ou no Brasil irão cair de forma agressiva.
“As empresas intensivas em capital são aquelas que gastam enormes quantias de recursos para expandir ou renovar a sua base de ativos. E, consequentemente, geram pouco caixa e pouca rentabilidade, devido ao gasto excessivo para financiar suas atividades”, explica o analista.
Ainda de acordo com Neto, atualmente, as empresas intensivas em capital estão presentes nos seguintes setores:
- Hospitais;
- Operadoras de planos de saúde;
- Companhias aéreas;
- Logística;
- Transportes e aluguel de veículos e maquinários;
- Shoppings;
- Construção civil.
“[No momento de Selic alta], esses setores estarão bastante voláteis. Em um sinal de queda nas taxas de juros, as empresas mais lucrativas desses setores serão as primeiras a se beneficiar”, argumenta o analista.
Então, onde investir quando os juros estiverem em queda para garantir retorno acima do CDI?
Para Neto, ótimas empresas para quando chegar esse momento de baixa na taxa são: Movida (MOVI3), Amos (AMOS), JSL (JSLG3), Simpar (SIMH3), Hospital Mater Dei (MATD3), Dasa (DASA3), Rumo SA (RAIL3), Hapvida (HAPV3), Auren Energia (AURE3), Armac (ARML3), entre outras.
2. Evite comprar empresas de alto grau cíclico e que estejam alavancadas
Ou seja, com margens de lucro operacional (Ebit) abaixo de 20%, e com nível de endividamento superior a 1,5 vez. “Nesse caso, temos que evitar empresas que comercializam bens supérfluos, como é o caso do varejo de eletrodomésticos, cuidados pessoais, utensílios para residência, construtoras alavancadas, entre outras”, afirma o analista da Hike Capital.
Nesse caso específico, o especialista não quis citar possíveis papeis a evitar.
3. Identifique as empresas de commodities e saiba diferenciar boas oportunidades
Mesmo em um cenário de baixa no preço da matéria-prima, é possível a empresa permanecer com um endividamento baixo, alta geração de caixa e distribuir dividendos que reflitam em um rendimento anual superior a 15%.
“Como é o caso da CSN Mineração (CMIN3). Acreditamos que o cenário atual está bastante vantajoso para a companhia. Dado que a holding (Cia. Siderurgia Nacional) está em processo de desalavancagem. E vem aumentando a distribuição de dividendos por parte de seu braço de mineração”, diz o especialista.
4. Busque entender o indicador mais importante ao se analisar ações: o rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista
Esse indicador nada mais é do que a divisão do fluxo de caixa livre ao acionista pelo valor de mercado atual das ações. “Feito isso, é importante analisar como esse indicador deverá se comportar ao longo dos próximos dois anos, no mínimo”, ensina Neto.
Desse modo, empresas que possuem um crescimento consistente nesse indicador e os números estejam acima do CDI atual, geram grandes oportunidades de alocação. E isso mesmo em um cenário de estresse na economia.
“Empresas que veem se destacando nesse indicador são: Ânima (ANIM3), CSU Digital (CSUD3), Valid (VLID3), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3), Banco Pine (PINE4), Três Tentos (TTEN3), Panvel (PNVL3), Wiz (WIZC3), Eletrobrás (ELET3, ELET6), Pague Menos (PGMN3) e CSN Mineração (CMIN3)”, afirma o analista.
Rendimento acima do CDI com ações tem riscos
Como já era de se esperar, superar o CDI na renda variável requer atenção. Afinal de contas, esse processo tem riscos. Até porque, no mercado de ações não há essa garantia de retorno financeiro e o horizonte de tempo pode ser mais longo do que o desejado pelo investidor.
“Por mais que você faça uma ampla análise, existe a possibilidade de comprar uma ação que pode cair. Seja por efeitos macro, ou seja por algum ruído de notícias. Por isso, o horizonte de tempo para investir em ações deve ser maior”, pontua Inácio Alves, da Melver.
Mas fique calmo, porque é possível reduzir esses riscos. E sabe como? Com diversificação.
“Uma alternativa é comprar ações de 8 a 10 empresas, de modo que todas elas atuem em setores diferentes da economia. E aí, se por acaso o investidor escolher uma ação que venha a cair bastante, ele não vai ter um prejuízo de todo o seu capital. Isso porque, será apenas parte do patrimônio investido. Enquanto o restante do capital estará em outras companhias. Isso, portanto, diminui o risco de o investidor perder mais do que o esperado”, afirma o analista.
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