Luiza Trajano, do Magalu: ‘No varejo a preocupação é com os juros altos e com as vendas em queda’

Empresária faz coro pela queda dos juros e diz que Lula ‘não vai ter déficit público porque não é doido’

A empresária Luiza Trajano afirmou ontem ao podcast 2+1, do GLOBO e da rádio CBN, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tomou nenhuma medida até agora que justifique a “paúra” (medo) do mercado financeiro, e que o empresariado do varejo “não está desesperado” com a política econômica do governo.

“Eu não acredito que ele [Lula] vai mexer no déficit público, porque ele sempre levou isso muito certo. E ele quer emprego, quer desenvolvimento, e eu acho que é isso o que o mercado quer. Nenhuma atitude foi tomada [pelo governo] para poder ter essa paúra. Quando a gente conversa com os empresários, eles estão até mais dispostos a dialogar, entendendo mais o que está sendo feito, Na minha área eu não vejo tanto desespero para falar ‘não vai dar certo’.”

Dona do Magalu, Luiza Trajano cobrou responsabilidade fiscal, mas disse que a grande preocupação do setor no momento é com a taxa de juros em 13,75% ao ano.

“O que eu espero é que tenha um cuidado com o fiscal. Se vai chamar âncora ou outra coisa,eu não sei. Pelo o que eu já analisei de outros governos do Lula, ele não vai ter um déficit público, porque ele não é doido. Não está sendo um assunto tão forte no nosso meio. Todo mundo está preocupado é com a falta de mercado, de venda, e sabe que juros altos são o primeiro fator para atrapalhar isso”, disse.

Sem aumento de imposto

A empresária engrossou o coro pela queda dos juros e disse esperar alguma sinalização do Banco Central nesse caminho.

“Se não tem consumo, não entendo ter um juro que saiu de 2%, 3%, e foi para 12%, 13%. ‘Ah, mas e os gastos públicos?’. Tá bom, mas se você não tiver arrecadação, você também não tem como pagar os gastos. A arrecadação vem das vendas que geram imposto. Então, na realidade, a gente não entende essa taxa de juros. Não conversei com o Banco Central, mas tomara que ele dê sinais que vai baixar os juros.”, disse.

Luiza afirmou que está confiante na aprovação da reforma tributária, e que vê um ambiente propício para o debate, mas o que ela quer é que “não aumente o imposto para nenhum segmento e facilite as operações”.

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