Fundos imobiliários têm forte queda com temor por inadimplência de CRI

Os fundos imobiliários Devant Recebíveis Imobiliários, Hectare CE, Versalhes RI e Tordesilhas EI registraram forte desvalorização na B3 com o aumento das preocupações do mercado com a inadimplência de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) da Gramado Parks, que atua no segmento imobiliário e de turismo, e de outros empreendimentos investidos. Três desses fundos atingiram o menor valor de cota desde que começaram a ser negociados em bolsa.
A Gramado Parks é uma empresa do Rio Grande do Sul. A companhia obteve na semana passada uma decisão na Justiça que permitiu a interrupção do repasse de recebíveis por 60 dias e impossibilitou o vencimento antecipado dos CRIs.
No pregão desta quarta-feira (29), o fundo Hectare teve desvalorização de quase 14%. O Devant teve queda de 18%, enquanto o Versalhes caiu 13,4% e o Tordesilhas recuou cerca de 9,7%. Os três últimos encerraram com o menor valor de cota desde o início da série histórica do Valor PRO.
A Vórtx, que administra os quatro fundos, apresentou nesta quarta-feira ao mercado as listas dos CRIs que são investidos por eles e que estão inadimplentes. Além dos títulos da Gramado, aparecem na relação o nome de outras empresas, como Circuito das Compras e WAM Holding, além de projetos como Resort do Lago IV, Búzios Beach e Resort do Lago Park.
“Verificou-se que o cumprimento das obrigações pecuniárias (…) não foram honradas na data pactuada (20/03/2023) e, até o presente momento, não há qualquer notícia do adimplemento de tais obrigações”, diz trecho dos comunicados. A Vórtx diz também que tem mantido contato com a Fortesec, securitizadora responsável pela emissão dos CRIs da Gramado, para solicitar esclarecimento a respeito da inadimplência e acompanhar os desdobramentos do caso.
Além dos investimentos na Gramado Parks, os quatros fundos têm em comum o fato de terem como gestores empresas do grupo RTSC: a Devant, a Hectare e a RC Capital. O grupo RTSC também é controlador da Fortesec. O grupo foi procurado, mas não se manifestou sobre o caso até a publicação desta reportagem.
A Gramado entrou com pedido para instauração de procedimento de mediação empresarial no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e obteve uma tutela cautelar. A companhia alegou que suas receitas caíram após a crise provocada pela pandemia da covid-19 e que, com isso, os recebíveis deixaram de ser suficientes para cobrir as obrigações com a securitizadora e para custear as operações, com o pagamento de funcionários e fornecedores.
Para que os investidores dos CRIs não sejam afetados, a securitizadora deve acionar mecanismos de proteção, como o fundo de reserva dos papéis, segundo fontes a par do negócio. As emissões também têm outras garantias, como cotas das companhias que formam o grupo, além do patrimônio dos sócios.
Por Rita Azevedo
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